O fenômeno Girl Power tomou conta do feminismo

Não é de se estranhar que o capitalismo quando enxerga qualquer oportunidade de se apropriar de um movimento político, para seu próprio benefício, assim o faz. E com o feminismo, não seria diferente.

Depois que o feminismo contemporâneo tomou as telas da mídia, muitas feministas que antes eram vistas como mal amadas, estranhas, feias, passaram a virar capa de revistas, a aparecerem em sites e programas televisivos importantes.

Claro que isso é importante para o nosso movimento: representatividade importa, ter nossa teoria se alastrando para todas as mulheres e todo o mundo, é importante na luta patriarcal, antirracista e anticapitalista. E isso não há como negar.

Entretanto, junto com essa onda de supervalorizar o feminismo até no ponto que não incomode nossa supremacia branca, masculina e rica, também, começou a surgir determinadas «marcas» voltadas para exaltar e valorizar as mulheres, distribuindo roupas com escritos “seja feminista”, “girl pwr”, “feminist”, etc. No entanto, até que ponto a mídia e o capital compraram o discurso feminista para que se beneficiassem disso? e será que essas marcas realmente se importam com as mulheres?

Por que, por exemplo, a maioria das blusinhas com temática políticas custam caríssimo e não é isso que o feminismo busca como prática teórica e radical – na nossa luta. Não adianta somente andar com a blusinha “be feminist” se você não tem práxis, se você não estuda o movimento, se você não coloca em prática, sua teoria e estudo.

Vejo diversas mulheres que se dizem feministas usando tênis com estampa da Frida Kahlo, que era comunista (e se revira na tumba quando isso acontece), que custam 400, 500 reais. Parece que a ideia principal e central do feminismo enquanto movimento de libertação, agora, tem sido cada vez mais mudada de direção, focando mais em vender uma imagem – do que construir, de fato, um pensamento político e radical de mudança e libertação.

Lendo a teoria feminista da querida Bell Hooks percebo o quanto o feminismo precisa caminhar: muitas mulheres, ainda, por mais que se designem feministas, não conseguem entender a própria opressão e nem tomar consciência do que realmente devemos lutar e como lutar – fica quase impossível ver um resultado real se não conseguimos nem nos organizar enquanto classe de mulheres.

A voz que o feminismo ergueu no ultimo século é importantíssima para nossa visibilidade e representação enquanto classe que almeja nos libertar e libertar outras. Entretanto, a crítica precisa ser feita, porque erros do passado ainda continuam se repetindo e agora, com uma aparência de liberdade, de marketing, de tudo, menos com aparência de feminismo.

Se queremos realmente libertação, temos que nos conscientizar enquanto classe de mulheres dentro das nossas diferenças e parar com certas picuinhas internas dentro dos próprios coletivos «de que o feminismo é desse jeito e pronto (eu decidi e vai ser assim, meu corpo minhas regras)» – porque isso não é práxis. É na desavença, no debate, que se tem construção e conscientização.

Utilizar blusas escritos garotas poderosas ou as garotas agora tem poder sem práxis e estudo – pode tá sendo uma mascara para disfarçar o verdadeiro problema que precisamos enfrentar. Não é porque uma loja vende blusas com temática feminista a 100 reais, que agora nossa opressão sumiu e podemos sentar na praia, tomar um suco e foda-se tudo.

O capitalismo usa da apropriação dos movimentos coletivos e sociais porque isso dá dinheiro. Vocês podem me dizer: “mas o capital não gosta de movimentos sociais” e aí eu te respondo «mas o capital gosta de dinheiro e se ele vê que tem um assunto em ascensão nas mídias e na sociedade, ele usa disso, para enriquecer»

Não pensem que capitalistas se importam com feministas. porque eles não se importam. eles querem nosso dinheiro. por isso vendem blusas , adereços, sapatos com temáticas feministas – para nos dá uma falsa sensação de poder, para a gente achar que a sociedade ja avançou muito e agora, as mulheres podem ficar quietas porque não tem mais o que lutar – já conseguimos tudo, mas pergunta se eles querem de fato nossa libertação? não.

Não se enganem. Como eu disse, representatividade importa, mas sem conscientização e práxis ficamos na mesma, não avançamos e não nos libertamos.

Ondas contrarevolucionárias tem cooptado o movimento feminista – principalmente – o neoliberalismo com suas proposições de «seja livre e faça o que quiser».

Você não é feminista porque usa uma blusa feminista. Sua prática é quem faz você feminista. Sua luta real é que faz de você, feminista.

(então você está proibindo mulheres de usarem blusas feministas e adereços feministas)?

Eu não disse isso. Eu disse que o capitalismo vem cooptando o feminismo e isso não há como negar. Por isso, precisamos ter consciência da nossa opressão, conversar com outras mulheres, criarmos coletivos, debatermos de fato, construir um movimento que lute, realmente, pelas mulheres e não apenas um feminismo mascarado de blusas, de peitos a mostra, de maquiagem empoderadora, de um discurso empoderador falacioso e sem teoria. Por isso:

Mulheres, avante !

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