um cara

um cara já disse que meu discurso era vazio, só tinha forma, “bonito, mas sem conteúdo”;
um cara já disse que era “fácil” pra mim falar, porque sou “privilegiada”;
um cara já disse que eu não tinha qualificação acadêmica pra discutir com ele;
um cara já disse que o que eu falava era mimimi de autoajuda pra mulheres;
um cara, depois de me interromper a noite toda, já disse que não estava me interrompendo, mas que “cismei” com a cara dele;
um cara já disse que eu era bonita demais pra ser inteligente;
um cara já disse que “nem todo cara” era do jeito horroroso que eu descrevia;
um cara já disse que “nem toda mulher é oprimida”;
um cara já disse que sou manipuladora e uso minhas palavras pra coagir pessoas de “mente fraca”;
um cara já disse que eu era linda, “de boca fechada”;
um cara já disse que as ideias que eu disseminava eram agressivas;
um cara já disse que “não se combate violência com violência”;
um cara já disse que meu discurso era “utópico”;
um cara já disse que eu deveria “aceitar as coisas como são”, pois nada vai mudar.


todas essas frases — e tantas outras — fazem parte de uma estratégia discursiva do patriarcado para nos silenciar. pra que a gente escute e caia na besteira de acreditar que nossa história, nossas vivências, são exceções. que fazem parte de uma intimidade que não deveríamos compartilhar, colocar na roda, ousar tirar de dentro de casa. falemos. gritemos. quem for de escrever, escreva. quem for de falar, fale. quem for de distribuir palavras alheias, reverbere. a história de mulheres precisa ser contada, a despeito de todos esses caras.

fêmea brava

rebelda. feminista em luta, quebrando correntes, pela libertação de todas as mulheres. todas.

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