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Brancos, ricos e não-binários

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Ezra miller não-binário

Nota inicial: não estamos aqui para contestar nenhum trabalho artístico; Sam e Ezra são, de fato, talentosos. Vamos tratar exclusivamente de determinadas posturas que os dois tiveram em relação às suas vidas pessoais e que, querendo ou não, acabam por afetar o posicionamento de mulheres. Boa leitura.


No dia 13 de setembro de 2019, Sam Smith revelou, em suas redes sociais, ser uma pessoa não-binária. Ele pediu para que todos utilizassem os pronomes neutros they e them quando fossem se referir a ele (em inglês, obviamente).

Disponível somente no Twitter do artista. O post no Instagram (print acima) foi arquivado ou deletado.

Segundo o cantor, ele passou a se identificar como uma pessoa sem gênero definido (alternando entre ser homem e ser mulher). “Eu penso como mulher às vezes, na minha cabeça”, chegou a dizer. Diante disso, fica a pergunta: o que seria pensar como uma mulher?

Trechos retirados de entrevista concedida a Jameela Jamil, disponível no YouTube.

Ao afirmar, na mesma entrevista (imagens acima), que se sente feminino ao fazer sexo com outro homem, de modo a relacionar isso a “pensar como uma mulher”, Sam está supondo que o ato de transar com um homem é necessariamente algo que uma mulher faria; o que acaba apagando, por consequência, a homossexualidade. 

Curiosamente ou não, essas declarações vieram à tona após o lançamento do videoclipe de “How Do You Sleep?”, cuja coreografia é cheia de gestos e passos sensuais, normalmente considerados femininos.

Trecho retirado do clipe oficial, disponível no YouTube.

A partir de então, o assunto ganhou alcance e dividiu opiniões. De um lado, pessoas aplaudiram a coragem de Sam Smith ao expor sobre como se sentia, tornando pública sua “identidade” não-binária. Do outro, críticas apontaram que essa saída do armário seria mais um exemplo da histeria coletiva promovida pela militância queer.

Meme viralizado em redes sociais.

Seguindo a mesma linha, temos Ezra Miller, que também é abertamente não-binário. Em setembro de 2019, com maquiagem e unhas pintadas, o ator apareceu em um evento de moda da Saint Laurent com a palavra slut (vadia, em inglês) escrita no rosto com batom. Isto é, um homem se apropriando de um termo historicamente usado para ofender mulheres, a fim de protagonizar uma luta que não é dele.

Registro feito em Paris, no tapete vermelho do evento. A chegada de Ezra pode ser vista aqui.

Por mais de uma vez, o nome de Ezra virou notícia após o ator agredir pessoas. Mais recentemente, no dia 19 de abril de 2022, ele foi preso (pela segunda vez em menos de um mês no Havaí) por jogar uma cadeira na testa de uma mulher. Tudo isso só reforça o que ele realmente é: um homem violento e cheio de privilégios.

Charge ironizando o respeito à identidade não-binária de Ezra e sua recorrência em agredir mulheres.

Ok, mas por qual motivo tudo isso prejudica a nós, mulheres? Em primeiro lugar, vale ressaltar que homens não-heterossexuais (gays e também bissexuais) sofrem, de fato. A heteronormatividade se faz presente em todas as esferas de nossa sociedade, afetando até mesmo pessoas brancas e ricas.

No entanto, no momento em que Sam e Ezra se colocam como não-binários, geram uma desidentificação com o fato de serem homens e se posicionam como pessoas “alheias” aos agentes do patriarcado, diferentes daqueles que oprimem minorias. Mais que isso, eles pautam suas próprias existências com base em comportamentos superficiais, performando uma “nova categoria” de sexualidade.

O próprio Sam Smith admitiu “estar em guerra com o seu gênero” — e isso faz total sentido, visto que gênero não é algo natural, mas sim um conjunto de normas impostas a seres humanos com base em seu sexo biológico. No entanto, em vez de romper estereótipos, ele preferiu se assumir como alguém que “não é homem nem mulher, mas que flutua em algum lugar entre os dois”, para de alguma forma justificar seu comportamento contrário ao padrão masculino.

Então, por que não lutar como um homem gay? Em vez de reproduzir um discurso (altamente machista, diga-se de passagem) de que pensa, age e transa como uma mulher — quando na verdade está apenas fazendo coisas consideradas femininas pelo senso comum.

Por décadas, a comunidade GLS (como costumava ser conhecida) lutou para que a sociedade reconhecesse e respeitasse a existência de relações entre pessoas do mesmo sexo. Hoje, no entanto, a militância queer espalha a ideia de que gênero independe de sexo — o que é uma armadilha pronta para discursos que dão margem para abusos (estupro corretivo de lésbicas, por exemplo) e homofobia. Um completo retrocesso.

Rebolar, usar maquiagem, vestir casacos de peles, pintar as unhas, nada disso torna alguém uma mulher. Não há revolução com o não-binarismo.


Fontes consultadas:

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