A história não-contada da Segunda Onda Feminista
A história não-contada da Segunda Onda Feminista

Este artigo foi traduzido do site Liberation School, e originalmente aparece como o capítulo 8 do livro “As mulheres revidam: a centenária luta pela libertação”, de Donna Goodman, publicado pela Liberation Media.


Tradução de Aline Rossi | Feminismo Com Classe
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A década de 1960 viu rebeliões e levantes que duraram até meados da década de 1970 e resultaram na derrubada da segregação formal, a ascensão de um formidável movimento antiguerra, o impacto duradouro do movimento de libertação das mulheres e o fim de muitas convenções culturais conservadoras e estultificantes. As décadas de contra-ataque de direita e neoliberal, iniciadas no final da década de 1970, reverteram muitos, mas certamente não todos esses avanços progressivos.

Os estudantes negros da A&T State University, em Greensboro, Carolina do Norte, iniciaram os anos 60 com uma reunião em Woolworths em 1º de fevereiro de 1960, que galvanizou o país. Os protestos se espalharam por Chattanooga, Nashville e outras cidades. O ritmo acelerou no ano seguinte com as primeiras Marchas da Liberdade para protestar contra a segregação no transporte interestadual do Sul, iniciado pelo Congresso de Igualdade Racial (CORE). Aqueles que marchavam em preto e branco numa caminhada pacífica foram confrontados com uma ferocidade horrível e com ódio racial em praticamente todas as paradas.

Os movimentos negros liderados pelo Rev. Martin Luther King Jr., Malcolm X, os Panteras Negras, militantes sindicais da classe trabalhadora negra e outros lutaram por liberdade e igualdade ao longo da década, registrando grandes ganhos em quase todas as áreas.

À medida que a luta pelos direitos civis e pela liberdade dos negros continuava, um após o outro, os grupos oprimidos ou radicais levantavam suas próprias bandeiras de oposição para mudar o status quo nos EUA: oposição à guerra do Vietnã; o movimento estudantil e a nova esquerda; a contracultura ampla que varreu muitas convenções culturais estultificantes; grupos socialistas e comunistas, que se fortaleceram, incluindo o relativamente novo movimento maoista; o movimento LGBTQ; militância trabalhista; os movimentos chicano, porto-riquenho, nativo e asiático; e, é claro, o ambicioso movimento pela equidade das mulheres que buscava derrubar a dominação masculina. Todas essas tendências cresceram em meio a confrontos de rua em massa, ações diretas e um espírito mais amplo de resistência, cruzando-se entre meados dos anos 60 e permanecendo uma força extremamente poderosa para a próxima década.

As ativistas femininas Bella Abzug e Dagmar Wilson fundaram o “Women Strike for Peace” (Mulheres em Greve pela Paz) em 1961, em oposição à proliferação nuclear. A primeira grande ação do grupo em 1º de novembro daquele ano consistiu em protestos contra armas nucleares em 60 cidades por aproximadamente 50.000 mulheres, principalmente de classe média. Essa ação e outras marchas, piquetes e protestos ocorreram para pressionar os Estados Unidos e a União Soviética a assinar o tratado de não-proliferação nuclear. Durante a Guerra do Vietnã, elas iniciaram programas de aconselhamento antirrecrutamento.

Os movimentos de massa se reforçavam. Algumas ativistas mudavam de uma seção para outra, e as que estavam de fora se juntavam. Várias mulheres líderes ganharam experiência nos primeiros anos da luta pelos direitos civis e trouxeram esse conhecimento para a insurreição das mulheres. A existência de vários movimentos ao mesmo tempo aprimorou todos eles, e cada um tendia a apoiar o outro. De certa forma, enquanto diferentes grupos e coalizões se concentraram em questões diferentes, em termos humanos, os movimentos foram todos entrelaçados e os participantes se consideraram parte “Do Movemento”. Todos se opunham à guerra dos EUA no Vietnã, fazendo desse movimento o mais poderoso empreendimento de paz na história dos Estados Unidos. As mulheres constituíam pelo menos metade dos muitos milhões que se opunham à Guerra do Vietnã.

No momento em que essa era extraordinária se dissipou em meados da década de 70 — na época em que o povo vietnamita finalmente venceu as décadas de longa guerra contra o imperialismo japonês, depois francês e depois americano — todos esses movimentos haviam criado um ambiente radical único na América e isso trouxe uma série de importantes avanços políticos e sociais.

O Movimento de Mulheres

A publicação do best-seller de Betty Friedan, de 1963, “A Mística Feminina”, ajudou a estimular a Segunda Onda, iluminando a insatisfação em grande parte escondida das mulheres com a labuta e o isolamento do trabalho doméstico em tempo integral, cuidados com as crianças, compras, etc., em lares predominantemente masculinos, onde as mulheres eram donas de casa não-remuneradas. Embora o livro tenha sido criticado por causa de sua concentração na classe média branca, ele desempenhou um papel importante na divulgação da consciência feminista e na abertura dos olhos de milhões de donas de casa para uma frustração praticamente não identificada, o “Problema Que Não Tem Nome”. Friedan escreveu:

“Cada esposa suburbana luta contra isso sozinha. Enquanto faz as camas, as compras, combina as roupas de cama, come sanduíches de manteiga de amendoim com seus filhos, chafurda nos biscoitos e brownies de escoteiros, deita ao lado de seu marido à noite… ela tinha medo até de se fazer a pergunta em silêncio: é só isso?” (1)

Num artigo no Huffington Post, 50 anos após sua publicação, o professor Peter Dreier declarou que o livro “muda para sempre as atitudes dos americanos sobre o papel das mulheres na sociedade”.

Em comum com muitos esquerdistas que passaram pelo anticomunismo histérico da década de 1950, Friedan tendia a esconder suas influências ideológicas de esquerda. Ela foi ex-jornalista trabalhista de um dos melhores sindicatos de esquerda — os United Electrical Workers (UE) — uma organização que foi expulsa da CIO no final da década de 1940 por causa da oposição do governo e do sindicato de direita aos esquerdistas e “vermelhos”. Sindicatos e membros do sindicato. Ela negou ter sido membro do Partido Comunista, embora seja claro que simpatizava com fortes objetivos de esquerda.

É importante notar que a maioria das mulheres que trabalhavam naqueles anos queriam mais tempo em casa com seus filhos e viam a vida das donas de casa como privilegiada. As mulheres da classe trabalhadora enfrentavam discriminação no local de trabalho e sofriam com a ausência de benefícios familiares que tornassem possível manter um emprego de período integral sem causar grandes dificuldades às famílias. Além disso, as decisões de contratação eram completamente segregadas por gênero e raça, até os tipos de anúncios de ajuda que eram publicados nos jornais: “procura-se assistente masculino” ou “procura-se secretária feminina”. Os empregos destinados às mulheres ofereciam salários mais baixos e muito menos oportunidades de progresso.

Uma vez contratadas, as mulheres não apenas tiveram que lidar com salários discriminatórios, mas também com a falta de licença de maternidade, assistência infantil e outros serviços familiares que estavam se tornando rotina nas sociedades social-democratas da Europa. Os cuidados infantis, fornecidos pelo Estado para as mulheres trabalhadoras da indústria de defesa, foram retirados após a guerra. A perda desse benefício essencial foi um fator que empurrou as trabalhadoras do pós-guerra para fora da força de trabalho e para dentro de casa. A maioria desses serviços sociais continua sendo retido pelo governo dos EUA — que se recusa a aumentar os impostos sobre os ricos para pagar por esses programas ou reduzir o gigantesco orçamento militar.

As mulheres negras, concentradas em ocupações agrícolas e domésticas, sofriam discriminação adicional e as consequências de terem sido excluídas da Previdência Social. (A exclusão delas foi uma das condições exigidas pelos legisladores do sul em troca da votação da legislação do New Deal). Muitas das exclusões foram banidas na década de 1950.

Nem todas as mulheres da época concordavam com o movimento. Muitas preferiram o papel de dona de casa familiar. Era tradicional, podia receber suas recompensas e estava em sintonia com a ideologia dominante transmitida pelo Estado, pela Igreja e pela mídia de massa. Por razões financeiras, muito menos mulheres hoje estão em posição de optar por trabalhar ou não — e muitas menos preferem ficar em casa, graças às mudanças culturais e avanços na força de trabalho que podem ser atribuídos aos ganhos do período da Segunda Onda.

As realizações da Segunda Onda foram significativas e de longo alcance. As mudanças que beneficiaram as mulheres atingiram profundamente a sociedade e foram provocadas por um movimento feminista independente e de massa, que ocorreu dentro e fora do sistema eleitoral e autonomamente dos principais partidos políticos. As táticas principais do movimento foram manifestações de rua, ações diretas e conscientização de pequenos grupos, bem como organização comunitária de base e intervenções contra a mídia de massa, a cultura popular e os tribunais. As ideias feministas fluíram para o mainstream, à medida que as mulheres viam ganhos em leis e políticas públicas, vida privada e cultura popular.

A Segunda Onda do feminismo foi um movimento verdadeiramente de massa que incluiu mulheres de todas as origens e comunidades oprimidas, bem como de origens políticas, de liberais a comunistas. O grande segmento branco da classe média teve o maior alcance nos meios de comunicação de massa e no público em geral e continua a receber muito mais visibilidade nas apresentações históricas da época em filmes e trabalhos acadêmicos. Infelizmente, isso deixou uma imagem um tanto distorcida na mente de muitas das ativistas de hoje, que não sabem que havia um setor revolucionário e de esquerda tão grande.

Este é um vislumbre da atividade e dos objetivos de alguns dos grupos constituintes que estavam ativos nas décadas de 1960 e 1970, e que tiveram uma influência contínua nas décadas seguintes.

Feminismo liberal

O feminismo liberal emergiu do movimento histórico dos direitos das mulheres. Consistia na maioria de mulheres brancas da classe média, incluindo um setor profissional que exigia das instituições federais e estaduais o fim da discriminação sofrida pelas mulheres na força de trabalho. Essas mulheres também tendiam a ser mães casadas, e suas demandas refletiam as experiências e a insatisfação de muitas donas de casa. (2)

O objetivo dessa corrente era abrir o sistema político e econômico existente para as mulheres e alcançar a igualdade política, legal e social com os homens. A vida política das ativistas centrou-se em partidos políticos, sindicatos e outras instituições onde elas se envolviam na construção de coalizões, políticas eleitorais e organização sindical, enquanto trabalhavam com aliados do sexo masculino. Elas não desafiavam o sistema capitalista e buscavam reformas a partir de dentro.

À medida que essa corrente crescia, ela desenvolveu laços mais estreitos com o Partido Democrata e enfatizou o lobby e a política eleitoral como estratégias políticas primárias. O Partido Democrata, por sua vez, abriu espaço para absorver esses elementos em seu mecanismo partidário como um novo círculo eleitoral leal e influente. Feministas liberais lideraram e continuam liderando campanhas para importantes mudanças legislativas e políticas.

O governo federal começou a prestar nova atenção às questões de igualdade das mulheres no início dos anos 60, graças à pressão exercida por mulheres ativistas e à crescente visibilidade e sucessos do movimento pelos direitos civis. O Bureau de Mulheres dos EUA instou o Presidente John F. Kennedy a criar a Comissão Presidencial sobre o Status das Mulheres. O presidente nomeou a comissão em 1961 e escolheu Eleanor Roosevelt para presidi-la. Com base nas recomendações da Comissão, o Presidente Kennedy, em 1962, ordenou que as agências do governo federal parassem de discriminar as mulheres empregadas. (3)

O primeiro relatório da Comissão, chamado “American Women” (Mulheres Americanas) e publicado em 1963, continha algumas recomendações progressistas que foram promulgadas desde então, como práticas de emprego mais equitativas, tratamento legal e direitos de propriedade para as mulheres. Mas meio século depois, muitas das reformas centrais que a Comissão recomendou ainda não foram realizadas, incluindo a remuneração entre ocupações e serviços expandidos para mulheres que trabalham, como licença-maternidade remunerada, serviços domésticos para mães que trabalham e cuidados com as crianças.

O relatório também abordou a opressão causada pela pobreza e pelo racismo, bem como a desigualdade de gênero, observando que a discriminação racial que privava os homens negros de oportunidades de emprego criava responsabilidades econômicas adicionais para as mulheres: “Essas mulheres têm duas vezes mais chances do que as outras mulheres de ter de procurar emprego enquanto têm filhos em idade pré-escolar em casa; elas estão apenas começando a ganhar acesso aos campos em expansão do emprego comercial e administrativo; exceto as poucas que podem se qualificar como professoras ou outras profissionais, elas são forçados a ocupações de serviço mal remuneradas.” O relatório apontava situações e discriminações semelhantes enfrentadas por nativo-americanas e latinas.

Organização Nacional pelas Mulheres (NOW)

A manifestação popular mais importante do feminismo liberal foi e é a Organização Nacional pelas Mulheres (NOW), que se tornou a maior organização feminista de membros em massa do país, com um milhão e meio de membros hoje. (4) Foi fundada em 1966 por ativistas feministas, com Betty Friedan como presidente, em parte em resposta ao fato de que o Título VII da Lei dos Direitos Civis de 1964, que proibia a discriminação no emprego, não estava sendo aplicado de maneira consistente. De acordo com sua declaração de propósito, a organização pretendia “agir para levar as mulheres à plena participação na sociedade americana atual, exercendo todos os privilégios e responsabilidades em uma parceria verdadeiramente igual à dos homens”. A declaração criticava a Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego (EEOC) por não levar suficientemente a sério a discriminação enfrentada pelas mulheres e a dupla discriminação sofrida pelas mulheres negras.

A organização assumiu as questões legais da discriminação salarial; a escassez de mulheres nas profissões, governo e ensino superior. Também enfatizou a necessidade das políticas acompanharem as realidades em mudança na família: as mulheres estavam se irritando com sua posição desigual no casamento. Além disso, elas tinham de sobreviver aos anos de criação dos filhos, removendo, assim, uma justificativa importante para limitá-las ao domínio do lar.

Nos seus primeiros anos, a liderança da NOW era hostil a ativistas e questões lésbicas e tinha uma posição fraca sobre os direitos ao aborto. A própria Friedan fez declarações contra a “ameaça alfazema” (lavender menace). As lutas internas levaram o grupo a se tornar mais inclusivo ao longo do tempo, de modo que, em 1971, em meio à explosão do movimento de libertação de lésbicas e gays e ao crescimento do feminismo radical, ele abraçou membros lésbicas e sua causa e deu forte apoio aos direitos ao aborto.

A declaração de direitos da NOW, aprovada em 1967, pedia a aplicação de leis que proibissem a discriminação sexual; direitos de licença de maternidade no emprego e em benefícios de seguridade social; deduções fiscais para despesas domésticas e de cuidados infantis para pais que trabalham; creches; educação igual e integrada; igualdade de oportunidades para treinamento e moradia, e abonos de família para mulheres em situação de pobreza. Naquele ano também houve apoio da NOW ao aborto legal.

Embora a maioria de suas membros fosse branca, a NOW foi racialmente integrada desde o início, e algumas de suas membros fundadoras eram veteranas do movimento dos direitos civis que viam a necessidade de combater a discriminação com base em raça e gênero ao mesmo tempo. Pauli Murray, trabalhadora de direitos civis, advogada, ativista feminista e a primeira mulher negra a ser ordenada sacerdote episcopal, escreveu:

“A mulher negra não pode mais adiar ou subordinar a luta contra a discriminação sexual na luta dos direitos civis, mas deve realizar ambas as lutas simultaneamente. Deve insistir no papel de parceria no movimento de integração.” (5)

A NOW tinha laços estreitos com os principais sindicatos e, em seu primeiro ano, sua sede foi na Casa de Solidariedade da United Auto Workers (UAW), em Detroit. A UAW também contribuiu com apoio financeiro para ajudar a NOW a começar. Entre as membros fundadores da NOW estavam membros da UAW, CWA e Trabalhadores da United Packing House — incluindo Addie Wyatt, fundadora da Coalizão para as Mulheres dos Sindicatos (CLUW).

A NOW se envolveu em ações de rua, ações judiciais, boicotes, lobby e campanhas eleitorais. Os pedidos de petição contra o EEOC, apoiados por protestos nas sedes de campo da agência, ajudaram a pôr fim aos anúncios de emprego segregados por sexo.

A organização também fez uma campanha árdua em 1972 pela candidatura presidencial de Shirley Chisholm, membro da NOW e a primeira mulher afro-americana eleita para a Câmara dos Deputados dos EUA. Chisholm escreveu em 1970:

“A discriminação mais severa que encontrei na arena política é o antifeminismo, tanto de homens quanto de mulheres que sofreram lavagem cerebral do Tio Sam. Quando anunciei que estava concorrendo ao Congresso dos Estados Unidos, homens e mulheres me aconselharam, como fizeram quando concorri para a Assembleia Legislativa do Estado de Nova York, à voltar a lecionar — a vocação de uma mulher — e deixar a política para os homens.” (6)

Outros projetos feministas liberais

A Ms. Magazine foi uma importante manifestação da ascensão e impacto do feminismo liberal. A publicação foi fundada por Gloria Steinem e outas em 1972, com o objetivo de promover o feminismo sem ter que se comprometer com o gerenciamento de publicitários e editores misóginos.

Steinem era uma jornalista e ativista feminista primeiro reconhecida por trabalhar disfarçada em um clube da Playboy e escrever sobre as condições injustas enfrentadas pelas ‘coelhinhas’ da Playboy. Foi co-fundadora da Aliança de Ação das Mulheres, da Coalizão de Mulheres do Sindicato dos Trabalhadores e da Choice USA, entre outras organizações. A revista foi criticada por feministas radicais por trabalhar no mundo editorial tradicional, apresentando principalmente mulheres brancas e heterossexuais de classe média e por promover Steinem como porta-voz do movimento. No entanto, a Ms. quebrou várias ideias feministas no mainstream, discutindo abertamente, por exemplo, a sexualidade das mulheres e publicando nomes e histórias de mulheres que fizeram aborto — em uma revista que estava nas bancas de todo o país.

Em 1967, Steinem admitiu ter trabalhado com a CIA como ativista estudantil na década de 1950 e no início da década de 1960, mas negou as alegações de feministas radicais de que ela continuava sua colaboração. No início de 2016, Steinem ganhou as manchetes por um comentário bastante feminista em uma entrevista na televisão de que mulheres jovens estavam apoiando Bernie Sanders porque “é onde os rapazes estão”. Ela logo se desculpou e disse que tinha se equivocado.

A Ms. Magazine é agora publicada trimestralmente, com uma tiragem de 100.000 exempleras, pela Feminist Majority Foundation (FMF), outro grupo liberal. Sua co-fundadora, Eleanor Smeal, foi presidente da NOW. Quando a FMF foi fundada, em 1987, pesquisas de opinião mostraram que 56% das mulheres americanas se consideravam feministas. A organização conduz um programa de pesquisa, educação e treinamento para influenciar políticas e apóia o ativismo popular e estudantil pela igualdade, saúde reprodutiva, justiça social e não-violência das mulheres. Também apóia os direitos dos sindicatos dos trabalhadores, o patrimônio líquido e o fim das fábricas.

O FMF geralmente apóia o Partido Democrata, intervém no processo eleitoral e apoia os políticos liberais pró-mulher e a legislação. Também criou uma rede nacional de afiliadas do campus para promover sua visão e estratégia feminista liberal. (7)

Outro grupo liberal importante, ainda ativo hoje, é o Caucus Político das Mulheres Nacionais (NWPC), fundado em 1971 por Gloria Steinem e outras para ajudar a eleger mulheres para a administração pública. Em discurso à reunião fundacional do NWPC, Steinem disse: “Esta não é uma reforma simples. É realmente uma revolução. Sexo e raça, porque são diferenças facilmente visíveis, foram as maneiras primárias de organizar os seres humanos em grupos superiores e inferiores, e no trabalho barato do qual este sistema ainda depende. Estamos falando de uma sociedade na qual não existam papéis que não os escolhidos ou adquiridos. Estamos falando de verdadeiro humanismo.”

Enquanto as feministas liberais ocasionalmente usavam esse tipo de retórica radical para varrer a igualdade social — até mesmo a revolução — como apresentamos acima, sua ideologia e programa eram solidamente reformistas em orientação. Outras tendências criticaram os horizontes limitados desse tipo de feminismo e se tornaram forças significativas nos campi das faculdades no nível de base.

Feminismo radical e movimento pela libertação das mulheres

O feminismo radical surgiu de várias fontes, incluindo a ala feminista da Nova Esquerda no final dos anos 1960. Foi a corrente do movimento de massas que foi desenvolvida principalmente por mulheres jovens e solteiras, muitas das quais trabalhavam em empregos diurnos com baixos salários para apoiar seu ativismo. Muitas também tinham formação universitária e tinham exposição a um amplo espectro de ideias e movimentos radicais que se infiltravam nos campi das faculdades. Elas ganharam sua experiência ativista — ação direta, protesto em massa e organização da comunidade — no movimento dos direitos civis, especialmente no Comitê de Coordenação Não-Violenta de Estudantes (SNCC), na Nova Esquerda de Estudantes para uma Sociedade Democrática (SDS) e no Ativismo contra a guerra no Vietnã.

Muitas rejeitaram a política eleitoral como forma de atingir seus objetivos. Foi essa ala do movimento feminista que cunhou a palavra “sexismo”. (8) As feministas radicais identificaram seu movimento como “libertação das mulheres”, um nome que finalmente tomou conta da mente do público para descrever o movimento maior de mulheres.

Deve-se notar que, no início da Segunda Onda, em meados dos anos 60, muitos homens de esquerda nessas várias organizações dos anos sessenta, como o mencionado SDS e SNCC, abrigavam atitudes patriarcais em relação às mulheres do movimento, e as empurravam para baixo e zombavam de suas demandas por completa equidade. As mulheres não recuaram. Elas construíram seu próprio movimento dinâmico e, no final da década de 1960, a maioria dos esquerdistas do sexo masculino (embora não todos) nos vários componentes do levante aceitava ou defendia a igualdade das mulheres. Foi uma grande vitória duradoura na esquerda política. Aqui estão dois exemplos de chauvinismo masculino nos anos sessenta, escritos por mulheres do movimento:

A Lindsey German oferece essa joia em um artigo no Counterfire, 2 de fevereiro de 2013:

O pano de fundo do surgimento do movimento das mulheres nos EUA, no final dos anos 60, era um nível de sexismo e indiferença [dentro dos movimentos] à questão das mulheres, o que é bastante chocante se olharmos em retrospectiva. O movimento estudantil estava bastante desconectado da velha esquerda…. Diziam às mulheres que sua opressão era menos importante, e isso era dito da maneira mais desdenhosa e elitista. Na Conferência Nacional por Novas Políticas, realizada em agosto de 1967, onde uma minoria radical de mulheres tentou formular demandas pela libertação das mulheres, baseando-se nas políticas do poder negro, elas foram ridicularizadas pela maioria dos homens na conferência. A [feminista radical] Shulamith Firestone levou tapas na cabeça de um dos líderes do sexo masculino que lhe disse: ‘mexa-se, menininha; temos questões mais importantes para discutir aqui do que a libertação das mulheres.’ Essas experiências moldaram o movimento inicial das mulheres, que se demarcava como insatisfeito com o comportamento da esquerda masculina.

Frances M. Beal, da Aliança de Mulheres do Terceiro Mundo, escreveu em 1969:

“Infelizmente, hoje parece haver alguma confusão no movimento sobre quem oprimia quem. Desde o advento do poder negro, o homem negro exerceu um papel de liderança mais proeminente em nossa luta pela justiça neste país. Ele vê o sistema como realmente é, na maioria. Mas onde ele rejeita seus valores e costumes em muitas questões, quando se trata de mulheres, ele parece tirar suas linhas gerais das páginas da revista feminina para donas de casa.”

O Movimento de Libertação das Mulheres se rebelou contra a subordinação no movimento de massas e lutou pela igualdade e pelo reconhecimento das questões das mulheres dentro do movimento, bem como pelos direitos das mulheres na sociedade em geral. Para elas, a igualdade com os homens em uma sociedade desigual e racista era um objetivo insuficiente. Elas rejeitaram o status e a conquista masculina como o padrão a que as mulheres deveriam aspirar. Elas pegaram nas questões relacionadas ao trabalho doméstico, relações interpessoais, relações sexuais, arranjos familiares, assim como desigualdade e injustiça no mundo inteiro.

Em uma entrevista para este livro, Amy Kesselman, historiadora feminista e membro fundadora da União de Libertação das Mulheres de Chicago, lembra as origens da CWLU e descreve como as mulheres se reuniam nos primeiros anos do movimento de libertação das mulheres:

“Nosso grupo surgiu de uma conferência promovida pela Conferência Nacional para Novas Políticas”, que foi em 1967. Havia alguns pensamentos de uma esquerda terciária que não se concretizaram. Várias de nós começaram a falar sobre as questões das mulheres serem parte da esquerda e listamos algumas coisas que queríamos incorporar em qualquer documento que surgisse nesta conferência. Shuli Firestone subiu para dizer que gostaríamos de apresentar isso, e disseram-na que tinham coisas mais importantes a fazer. Então começamos a nos reunir nesta conferência e tivemos várias ideias e logo depois formamos um grupo chamado West Side Group. Éramos todas identificadas à esquerda e estivemos envolvidas nos movimentos antiguerra e de direitos civis e estávamos cheias de ideias reprimidas…

Quando eu era ativa no movimento anti-guerra, os homens naquele movimento — tivemos uma reunião e havia nove homens e eu no comitê de direção — e me senti um pouco trivializada, desafiada e invisível, e acho que muitas pessoas se sentiam assim. Tinha várias coisas que foram escritas que expressavam esses sentimentos. Então, tínhamos muito a dizer. Nós totalmente pensávamos em nós mesmas como parte da esquerda, mas também sentimos que precisávamos ter um movimento independente de mulheres, para podermos estar em coalizões com outros grupos, mas controlaríamos nosso próprio movimento. E nem todo mundo sentia da mesma forma…

O grupo escreveu uma peça. Íamos iniciar um movimento de mulheres independentes, um sindicato de mulheres em chicago, e havia mulheres da esquerda que eram contra e tínhamos medo de que subvertessem a conferência, então fizemos essa peça para aproximar as pessoas. E funcionou! Então começamos o Sindicato de Libertação das Mulheres de Chicago. Parte da inspiração para o Sindicato de Chicago era das vietnamitas. Uma das mulheres do nosso grupo representou o Movimento pela Paz em uma viagem ao Vietnã e conheceu as mulheres no sindicato das mulheres vietnamitas. Ela ficou muito impressionada com a importância que sentiam em ter uma organização independente de mulheres. E trouxe isso com ela.

Apesar disso, nós cometemos alguns erros. Um foi que consideramos importante, uma vez que tínhamos tido a experiência de ver nossos problemas tratados como secundários, focar nos problemas e experiências das mulheres. Estávamos preocupadas com mulheres para as quais a experiência de ser mulher não era o foco principal. E acho que não entendemos como outros grupos de mulheres não podiam colocar o sexo como primário, como tinham que olhar suas identidades através de raça e classe. Então, conversamos muito sobre querer nos conectar com mulheres afro-americanas e latinas, mas não entendemos que elas não podiam colocar o gênero acima da raça…

O outro erro é que desenvolvemos grupos de teoria e conscientização com base em nossa experiência, que não representam a experiência de todas, embora tenhamos falado sobre isso como uma experiência universal. Então aprendemos que não seríamos capazes de criar um movimento inclusivo se insistíssemos que todas colocassem o gênero em primeiro lugar…

Certamente nos esforçamos muito para nos conectar com mulheres racializadas e sempre vimos a classe como importante, mas sentimos que a teoria e a prática que estávamos desenvolvendo precisavam ser incorporadas a uma ampla esquerda que tratava das questões de todos.”

Ao contrário das feministas liberais, as feministas radicais acreditavam que apenas uma transformação total da sociedade, e não eleições ou reformas no sistema existente, poderia trazer liberdade real para as mulheres e garantir que as diferenças existentes entre mulheres e homens não levassem à opressão.

A tendência feminista radical no movimento de libertação das mulheres abriu muitas novas linhas de investigação teórica, muitas das quais eram bastante provocadoras e estimulantes, e ajudou a desvendar os estereótipos sexistas que permeiam a sociedade em todas as áreas. (9) A estudiosa feminista Christine Stansell escreveu:

“A libertação das mulheres gerou incontáveis ​​pontos de pressão, uma miríade de campanhas ad hoc para mudar os costumes sexuais, as maneiras, as expectativas dos homens em relação às mulheres, as expectativas das mulheres em relação a elas mesmas e a própria linguagem do gênero” (10).

Embora as feministas radicais tivessem visões diversas entre si, como uma tendência, elas se afastaram do marxismo e da análise de classe. Como as feministas socialistas e comunistas, elas acreditavam na necessidade de uma mudança radical da sociedade, mas viam seu inimigo principal como Patriarcado e supremacia masculina, não como Capitalismo, e a opressão das mulheres como a opressão primária (em oposição à exploração de classe ou opressão nacional). Algumas promoveram uma visão de que os homens haviam usado principalmente diferenças biológicas para derrubar o matriarcado e instituir o patriarcado, e isso permaneceu o cerne da opressão das mulheres.

Entre suas soluções para a opressão das mulheres estava uma corrente que promoveu a separação dos homens. Apesar das origens de esquerda desta corrente, um forte fio de anticomunismo, juntamente com a oposição aos líderes e às formas hierárquicas de organização, se desenvolveu dentro dela.

As feministas radicais assumiram a forma de pequenos coletivos, com uma dinâmica interna muito intensa que produziu muitas divisões e apenas algumas organizações que sobreviveram até o presente.

Ao mesmo tempo, sua influência no pensamento e na cultura feminista era profunda. Uma das principais organizadoras e teóricas dessa tendência era Shulamith Firestone (1945–2012). Criada em uma família judia ortodoxa, ela rompeu com sua família para se tornar pintora e uma das primeiras líderes do movimento feminista radical. Em 1969, ela cofundou a Redstockings, que realizou as primeiras manifestações públicas sobre o aborto, e mais tarde a Radical Women de Nova York. Firestone acreditava que a opressão das mulheres tinha sua base na própria biologia e que as mulheres não seriam verdadeiramente libertadas até que fossem libertadas do imperativo biológico do parto, através da substituição pela reprodução artificial fora do útero. Ela escreveu vários livros, dos quais o mais conhecido era A Dialética do Sexo, que afirmava que o sistema de classes sexuais era a principal divisão social. De certa forma, as cisões e o faccionalismo que atormentavam o feminismo radical levaram à saída de Firestone do movimento no início dos anos 1970. Ela permaneceu isolada do movimento pelo resto da vida e sofreu de esquizofrenia até a morte aos 67 anos.

As feministas marxistas contestaram certas visões feministas radicais, ao mesmo tempo em que apoiavam suas ações em favor da libertação das mulheres. A principal crítica marxista explicava que era incorreto sustentar que a contradição fundamental na sociedade é o patriarcado ou a supremacia masculina. A visão marxista é que o principal problema é a exploração e opressão capitalistas, que serão discutidas mais diretamente abaixo. Além disso, embora a biologia, sem dúvida, influencie e dê forma à experiência geral da opressão das mulheres na sociedade de classes patriarcal, o que deu origem principalmente à opressão das mulheres foi o desenvolvimento de relações de propriedade privada.

Feminismo socialista e marxista

Combahee River Collective

As rebeliões de 1960–75 pareciam uma grande festa de saída do armário para a esquerda política após anos de isolamento e repressão do governo a dissidentes. Para as feministas, após uma década de intensa pressão do governo e da mídia sobre as mulheres para valorizar o papel de dona de casa, subordinada ao marido, após os ganhos alcançados durante a Segunda Guerra Mundial, foi uma luta de libertação que valia a pena empreender.

A esquerda política dos EUA começa onde os liberais e a ala esquerda do Partido Democrata terminam. Incluídos nesta categoria estão social-democratas, socialistas, comunistas, vários radicais, anti-imperialistas e anarquistas.

A ala esquerda do movimento socialista e vários grupos comunistas adotaram o marxismo e várias formações feministas orientadas para o marxismo foram bastante ativas durante a Segunda Onda em protestos. Entre esses grupos na época estavam Radical Women (afiliada ao Partido Socialista da Liberdade), o Sindicato de Libertação das Mulheres de Chicago, Bread and Roses em Boston, o Coletivo Combahee River e outros.

A principal crítica do marxismo a algumas organizações feministas durante o período de revoltas sociais foi que a teoria estava mal equipada para lutar contra a opressão de gênero aqui e agora, porque sustentava que a libertação das mulheres chegaria quando a sociedade de classe capitalista fosse abolida.

Isso foi chamado reducionismo por “reduzir” a opressão das mulheres a uma questão de classe a ser resolvida pela revolução anticapitalista. Marx argumentou em meados do século XIX que a opressão de gênero se dissolveria quando a opressão de classes fosse derrotada. Na verdade, assim que os bolcheviques tomaram o poder na Rússia em 1917 e o Partido Comunista da China assumiu o poder em 1949, ambos rapidamente estenderam os direitos das mulheres. As revoluções socialistas na Coréia, Cuba e Vietnã seguiram o exemplo.

Até a década de 1960, as duas principais organizações comunistas nos EUA, o Partido Comunista e o Partido Socialista dos Trabalhadores, tendiam a subsumir a resolução da “questão da mulher” na prática à derrubada do capitalismo. Grupos marxistas menores e mais novos já reconheciam a necessidade de lutar por reformas para aliviar a situação das mulheres e de todas as pessoas oprimidas.

Em fevereiro de 1970, as mulheres membros de uma dessas organizações comunistas, o Partido Mundial dos Trabalhadores, formaram um grupo feminino ativista e educacional dentro de um grupo organizado pelo partido chamado Juventude Contra a Guerra e o Fascismo. As mulheres escreveram na época: “Nosso grupo é formado por mulheres negras, latinas, asiáticas e brancas. Somos trabalhadoras, mães e estudantes — lésbicas e heterossexuais.” Elas participaram de uma infinidade de atividades femininas e também “nos educamos enquanto, ao mesmo tempo, aumentamos a consciência e a sensibilidade dos homens na organização à opressão das mulheres”.

Uma líder do Partido Mundial dos Trabalhadores, Dorothy Ballan, escreveu em 1970: “A luta das mulheres não está subordinada à luta de classes. É ela própria uma forma de luta de classes, especialmente se conscientemente conduzida contra a burguesia” (isto é, contra a classe capitalista que possui a maior parte da riqueza e meios de produção da sociedade).

De acordo com a feminista Barbara Epstein:

Nos anos 1960 e início dos anos 1970, a tendência dominante no movimento das mulheres era o feminismo radical. Naquela época, o movimento das mulheres incluía duas tendências mais ou menos distintas. Uma delas se autodenominava feminismo socialista (ou, às vezes, feminismo marxista) e entendia a opressão das mulheres como entrelaçada com outras formas de opressão, especialmente raça e classe, e tentava desenvolver uma política que desafiasse tudo isso simultaneamente. A outra tendência se chamava feminismo radical. As feministas radicais maioritárias argumentaram que a opressão das mulheres era primária, que todas as outras formas de opressão derivavam da desigualdade sexual. Embora as alas liberais e radicais do movimento das mulheres diferissem em suas prioridades, suas demandas não eram nitidamente divididas…

A visão feminista radical se tornou estanque, dividida pelo faccionismo e por intensos conflitos ideológicos sectários. Na última parte da década de 1970, um feminismo cultural, mais voltado para a criação de uma subcultura feminista do que para a mudança das relações sociais em geral, substituíra o lugar anteriormente ocupado pelo feminismo radical. Normalmente, esse sectarismo ocorre em movimentos que estão falhando, mas o movimento das mulheres, na época, era forte e crescente. O problema era a lacuna muito grande entre a transformação social que feministas radicais desejavam e a possibilidade de realizá-la, pelo menos no curto prazo.

Eu acho que o feminismo radical ficou um pouco enlouquecido pelas mesmas razões que grande parte do movimento radical durante o mesmo período. No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, muitos radicais não apenas adotaram a revolução como objetivo, mas também pensaram que a revolução estava ao alcance dos Estados Unidos. Grupos diferentes tiveram visões diferentes de revolução. Havia feministas, negras, anarquistas, marxistas-leninistas e outras versões da política revolucionária, mas a crença de que uma revolução de um tipo ou de outro estava ao virar da esquina atravessava essas divisões. A guinada para a revolução não era em si uma coisa ruim; mostrou uma compreensão da profundidade dos problemas que o movimento enfrentou. Mas a ideia de que a revolução estava ao alcance dos Estados Unidos nesses anos era irrealista.” (11)

Como Epstein indica acima, a crença na revolução pendente gerou intenso entusiasmo pela organização, militância nas ruas e estimulou discussões teóricas sobre como o patriarcado poderia realmente ser eliminado — qualidades que muitas vezes faltam hoje. Na medida em que os revolucionários desenvolveram um senso irreal de revolução imediata, isso tornou o declínio do movimento mais difícil de suportar, levando a decepções e desmoralizações generalizadas.

A escritora, jornalista investigativa e feminista Barbara Ehrenreich é uma das mais conhecidas defensoras do feminismo socialista, especialmente em seu ensaio de 1976, “O que é feminismo socialista?”. O ensaio apareceu numa publicação do social-democrata New American Movement, que era hostil aos partidos marxistas-leninistas. Nele, ela escreveu:

“Temos que nos diferenciar, como feministas, de outros tipos de feministas e, como marxistas, de outros tipos de marxistas (…)

O problema do feminismo radical, do ponto de vista do feminismo socialista, é que ele não vai mais longe. Permanece paralisado com a universalidade da supremacia masculina — as coisas nunca mudaram realmente; todos os sistemas sociais são patriarcados; imperialismo, militarismo e capitalismo são simplesmente expressões da agressividade masculina inata. E assim por diante. (…) O problema com isso, do ponto de vista feminista socialista, não é apenas que deixa de fora os homens (e a possibilidade de reconciliação com eles em uma base verdadeiramente humana e igualitária), mas que deixa de fora muito sobre as mulheres. Por exemplo, descontar um país socialista como a China como um “patriarcado” — como ouvi de feministas radicais — é ignorar as verdadeiras lutas e conquistas de milhões de mulheres…

Como feministas, estamos mais interessados ​​nas mulheres mais oprimidas — mulheres pobres e da classe trabalhadora, mulheres do terceiro mundo, etc., e por esse motivo somos levadas a uma necessidade de compreender e enfrentar o capitalismo. Eu poderia dizer que precisamos nos dirigir ao sistema de classes simplesmente porque as mulheres são membros das classes. Mas estou tentando trazer algo mais a respeito de nossa perspectiva como feministas: não há como entender o sexismo, como ele age em nossas vidas, sem colocá-lo no contexto histórico do capitalismo.”

Ehrenreich passou a criticar “marxistas mecânicos” ou “deterministas econômicos” que veem o capitalismo estritamente através de uma lente econômica, enquanto “nós, junto com muitos marxistas que não são feministas, vemos o capitalismo como uma totalidade social e cultural”… Temos espaço dentro da nossa estrutura marxista para questões feministas que não têm nada a ver com produção ou ‘política’, questões que têm a ver com a família, os cuidados de saúde e a vida ‘privada’.” (12)

Escrevendo na Revista Mensal em janeiro de 2011, o marxista Richard Levins observou:

O feminismo é uma influência refrescante no marxismo. Os primeiros escritos feministas dos séculos XVIII e XIX, começando com Mary Wollstonecraft, pediam a igualdade das mulheres e rejeitavam qualquer justificativa religiosa ou biológica para a subordinação das mulheres. Às vezes atribuíam a supressão das mulheres a uma revolução patriarcal hipotética. Essa era uma visão que foi transferida para o marxismo clássico na “Origem da família, da Propriedade Privada e do Estado” de Engels, que se referia à “derrota histórica mundial do sexo feminino”. O surgimento do feminismo burguês [na década de 1920] foi usado para justificar a rejeição [da esquerda] ao feminismo como um desvio da luta de classes. Mas na década de 1940, um núcleo de mulheres protofeministas fortes emergiu nos EUA do Partido Comunista exatamente no momento em que o macartismo tornava difícil toda a organização vermelha. Muitas das pioneiras do feminismo de segunda onda nos Estados Unidos tinham raízes nos movimentos comunistas e socialistas e nos sindicatos.

O coletivo Combahee River, de orientação marxista, emitiu uma importante declaração sobre o socialismo e o feminismo negro em 1977:

Percebemos que a libertação de todos os povos oprimidos exige a destruição dos sistemas político-econômicos do capitalismo e do imperialismo, bem como o patriarcado. Somos socialistas porque acreditamos que o trabalho deve ser organizado para o benefício coletivo daqueles que fazem o trabalho e criam os produtos, e não para o lucro dos patrões. Os recursos materiais devem ser igualmente distribuídos entre aqueles que os criam. Não estamos convencidos, no entanto, de que uma revolução socialista que também não seja feminista e antirracista garanta nossa libertação. (…) Embora estejamos de acordo essencial com a teoria de Marx aplicada às relações econômicas muito específicas que ele analisou, sabemos que sua análise deve ser estendida ainda mais para que possamos entender nossa situação econômica específica como mulheres negras.

Jane Cutter, feminista marxista pós-Segunda Onda e membro do Partido para o Socialismo e a Libertação (PSL), disse em uma entrevista para este livro:

“As pessoas ainda precisam ouvir vozes preocupadas em construir a unidade de classe. Essa é uma das contribuições feitas por feministas de esquerda. Entendemos a unidade — não apenas entre mulheres, mas também entre mulheres e homens.

Nosso movimento não é um jogo de soma zero, onde se alguém sai na frente, alguém fica para trás. Precisamos rejeitar formas negativas e repreensivas de lidar um com o outro. Isso enfraquece um movimento quando os membros têm medo de expressar suas opiniões e debater as diferentes maneiras de avançar. Muitas feministas da segunda onda tiveram debates animados e apaixonados.

Eu acredito que as mulheres devem se preocupar com o socialismo. A base material da opressão das mulheres tem suas origens na sociedade de classes. Não precisamos voltar à história antiga para ver que os capitalistas estão lucrando pagando menos às mulheres, aproveitando nosso trabalho não-remunerado, necessário para a manutenção da classe trabalhadora como um todo. Muitas mulheres não têm licença de maternidade e precisam voltar ao trabalho após o parto. As mulheres fazem sacrifícios — trabalhando meio período, assumindo empregos com salários mais baixos e horários mais flexíveis para poder cuidar de seus filhos. Elas fazem o trabalho não-remunerado de assistência à infância e trabalho doméstico para a manutenção de suas famílias, para que outros membros da família possam trabalhar e as crianças acabarão se tornando trabalhadores. O sistema está lucrando com isso.”

Feminismo negro

A maioria das ativistas que se autodenominavam especificamente “feministas” na década de 1960 era branca e da classe média. (13) No entanto, o Movimento pela Libertação das Mulheres estava sendo organizado entre todas as raças, e as ativistas publicavam os escritos umas das outras, organizavam ações e participavam de reuniões juntas, e influenciaram o pensamento umas das outras desde o início.

As mulheres negras, em grande número, apoiaram os objetivos do Movimento de Mulheres. Em uma pesquisa de Harris de 1971, 60% das mulheres afro-americanas disseram apoiar os esforços para fortalecer o status das mulheres na sociedade, em comparação com apenas 37% das mulheres brancas. Em 1972, na primeira pesquisa a perguntar diretamente sobre o Movimento de Mulheres, 67% das mulheres negras disseram apoiar o movimento, em comparação com 35% das mulheres brancas. (14)

As mulheres negras tinham uma relação complexa com o movimento feminista, apesar de estar entre as defensoras mais entusiasmadas da igualdade das mulheres. Sua libertação estava obviamente ligada à libertação de todos os negros, moldada por uma experiência histórica comum de opressão e resistência nacional ao lado dos homens negros, embora o legado da escravidão e Jim Crow afetassem as mulheres negras de maneiras particulares. Elas tiveram que lidar com o sexismo dentro do movimento de libertação negra e com o racismo no movimento feminista. As diferenças entre feministas heterossexuais e lésbicas também apareceram no movimento feminista negro, com as lésbicas assumindo a liderança de segmentos proeminentes do movimento.

As mulheres racializadas geralmente criticavam as feministas radicais por seus elementos separatistas e por declararem uma irmandade universal, com base em suas experiências particulares, o que indicava uma falta de entendimento das diferentes experiências de mulheres de diferentes raças e classes. Elas também rejeitaram a prática de colocar o sexo em primeiro lugar, à frente da classe ou da raça. (15)

As mulheres negras e brancas pertenciam a organizações racialmente mistas e separadas e nenhuma forma ou visão organizacional única poderia reivindicar hegemonia dentro do movimento ou em qualquer setor específico de mulheres. Havia também comitês do Terceiro Mundo dentro de organizações racialmente mistas. Em alguns desses casos, questões de desigualdade econômica e estratificação de classes tornavam-se mais proeminentes (16).

Uma das primeiras organizações feministas negras cresceu a partir do grupo de mulheres do SNCC, formado em 1968. Juntando-se a uma organização de mulheres porto-riquenha, elas se autodenominavam Aliança das Mulheres do Terceiro Mundo (TWWA), com uma crítica anticapitalista do movimento negro de libertação e o movimento feminista amplamente branco. Durou de 1970 a 1977, após o qual um número considerável passou a integrar organizações marxistas-leninistas.

A Organização Nacional Feminista Negra (NBFO), fundada em 1973, procurou combinar as lutas contra o racismo e o sexismo. Por acusações de que estavam minando a luta pela libertação dos negros, elas responderam que representavam mais da metade da população negra e que, para que todos os negros fossem livres, precisavam se organizar em torno das necessidades das mulheres negras. Entre as questões que enfatizaram estavam as trabalhadoras domésticas, o bem-estar, a liberdade reprodutiva e a situação das mães solteiras. O NBFO operou como organização nacional até 1977. (17)

O Coletivo Combahee River, mencionado acima, foi fundado por Barbara Smith e outras em 1975, quando o núcleo da NBFO em Boston se separou do nacional. Com as lésbicas negras na liderança, o coletivo apresentou uma teoria inicial da política de identidade que consistia nas identidades entrelaçadas de gênero, raça e classe, opunha-se ao separatismo de segmentos do feminismo radical, negro e lésbico e promoveu políticas de coalizão. O Coletivo declarou-se socialista e apelou à destruição do capitalismo e do imperialismo, bem como ao patriarcado, como pré-requisito para a libertação de todos os povos oprimidos. Além disso, declararam que uma revolução socialista também deve ser feminista e antirracista (18).

Feminismo asiático-americano

As mulheres asiáticas americanas formaram grupos de base em todo o país.

Muitas mulheres asiáticas americanas se sentiam marginalizadas dentro do movimento feminista dominante. Elas lutavam contra os estereótipos e o que sentiram foi a falta de interesse das feministas brancas em aprender sobre os assuntos de importância para as mulheres asiáticas. Como muitas feministas negras, as mulheres asiáticas-americanas enfatizaram a importância de combater o racismo e o sexismo, tanto na sociedade em geral quanto no movimento de massas, e na promoção dos direitos das mulheres no contexto de suas próprias comunidades. (19) As ativistas estabeleceram o primeiro centro de mulheres asiáticas-americanas em Los Angeles em 1972.

As mulheres da classe trabalhadora asiática-americana lutavam com questões de imigração e discriminação no local de trabalho. Na indústria hoteleira, por exemplo, elas lutaram contra a diferença salarial entre os empregos qualificados mais bem remunerados e os dos setores de limpeza e outros empregos com baixos salários e menos visíveis. No final da década de 1970, elas realizaram uma ação trabalhista de dois anos que obteve um aumento salarial significativo da administração, além de um tratamento mais respeitoso da administração (20).

Feminismo latino

As mulheres da comunidade latina também estavam em movimento.

Trabalhadores rurais latinas, lideradas por Dolores Huerta e Cesar Chavez, trabalhavam com a United Farm Workers, que envolveu mulheres desde a sua fundação em 1962. Essas mulheres enfrentavam múltiplas opressões: como mães, elas assistiam seus filhos sofrerem de desnutrição devido à pobreza. No entanto, elas tinham que trabalhar para ganhar renda para suas famílias e muitas vezes tinham que trazer seus filhos para os campos. Em casa, elas eram dominadas por seus maridos tradicionalistas, que afirmavam o direito de mandar na família. Tudo isso ocorria no contexto da exclusão das trabalhadores agrícolas da legislação trabalhista do New Deal, que teria estabelecido melhores condições de trabalho, salários e benefícios mais altos. As mulheres foram fundamentais para organizar — e vencer — greves de trabalhadoras agrícolas. (21)

Em 1971, a Primeira Conferência Nacional Chicana — Conferência de Mulheres pela Raça — foi realizada em Houston, Texas. Seiscentas jovens mexicanas-americanas aprovaram resoluções que afirmavam seu direito a uma atitude positiva em relação ao sexo; rejeitaram a Igreja Católica por ser uma instituição opressora; e apelavam à igualdade de mulheres e homens em todos os aspectos. Elas também pediam aborto legal e controle de natalidade gratuitos para a comunidade Chicana, “controlado por Chicanas”, livre de experimentos médicos indesejados e padrões duplos sobre sexo, assistência infantil 24 horas e oportunidades de avanço político, educacional e econômico. Elas também buscavam remuneração igual por trabalho igual (22).

As mulheres latinas em outras partes do país também lideraram lutas contra a esterilização forçada.

Organizações revolucionárias e socialistas começaram a se desenvolver e se organizar também nas comunidades chicanas e imigrantes, consideravelmente à esquerda da UFW.

Feminismo lésbico

As lésbicas têm um longo histórico de ativismo no movimento de mulheres. Ao contrário de outras ativistas do movimento, sua própria existência na época era ilegal e marcada pelo ostracismo público. As leis que proíbem atos sexuais consentidos entre adultos do mesmo sexo estiveram em vigor em todos os estados até 1962. Em alguns estados, era até uma violação vestir roupas do sexo oposto. Somente em 2003 a Suprema Corte, ao derrubar a lei de “sodomia” do Texas, determinou em essência que todas essas leis estaduais violavam o devido processo de consentimento de adultos. (23) A decisão da Suprema Corte de casamento igualitário não chegou até 26 de junho de 2015.

The Daughters of Bilitis, a primeira organização de direitos lésbicos, foi fundada em São Francisco em 1955 por quatro casais de lésbicas, com o objetivo de superar o isolamento social e o preconceito e promover a igualdade, a educação, a pesquisa e as mudanças nos códigos penais no que diz respeito a homossexualidade. (24) O DoB se descrevia como “A organização de mulheres com o objetivo de promover a integração da pessoa homossexual na sociedade”. (25) Durou 14 anos, período em que publicou uma revista chamada The Ladder, que era um canal de comunicação para muitas lésbicas. Várias leitoras e membros se juntaram à revolta feminista em meados dos anos 60.

Os movimentos de massa deram impulso ao crescente movimento pelos direitos das lésbicas e dos gays, mas mesmo dentro do movimento feminista, as lésbicas tiveram que lutar para que suas preocupações fossem reconhecidas. Elas também tiveram que lutar contra o movimento de libertação gay dominado pelos homens, que marginalizava as lésbicas.

O movimento de libertação de lésbicas e gays atingiu um ponto de virada com a rebelião de Stonewall, uma ação histórica contra a repressão policial em junho de 1969 em um bar gay no Greenwich Village de Nova York. As batidas policiais contra lésbicas, gays, drag queens e travestis eram comuns na época, mas os clientes do Stonewall naquela noite já estavam cheios.

Noite após noite, os clientes e seus aliados se envolviam em violenta luta contra a polícia, pois também procuravam lugares legítimos e legais para se encontrar. A comunidade maior estava dividida; houve algum apoio, mas também rejeição e oposição às pessoas que foram consideradas párias da “sociedade respeitável”. Stonewall impulsionou toda uma geração de lutas, que não terminou até hoje, e era comemorada anualmente nas marchas do Orgulho em todo o país e comitês da organização nos sindicatos e no AFL-CIO, chamado “Orgulho no Trabalho”.

À medida que as feministas mais liberais rejeitavam o lesbianismo abertamente, feministas mais radicais o impulsionavam em ações e em nova teoria. A NOW mudou sua atitude em relação às lésbicas em 1971. Phyllis Lyon e Del Martin, fundadoras do DoB, eram membros da NOW e Martin foi a primeira lésbica eleita para seu conselho nacional. (Lyon e Martin também foram o primeiro casal do mesmo sexo a se casar em São Francisco após 50 anos de compromisso.)

Lesboradicais (Radicalesbians), uma organização de “mulheres mulheridentificadas”, chamava as lésbicas de verdadeiras feministas radicais. (26) Elas consideravam o lesbianismo mais uma escolha política do que uma orientação sexual pré-determinada, uma postura que era desafiada dentro e fora do movimento feminista. Outras se voltaram para o separatismo, não apenas dos homens, mas também das feministas heterossexuais.

Algumas das primeiras lésbicas radicais viam a heterossexualidade como chave para a sociedade e o patriarcado dominados por homens e acreditavam que era necessário adotar o lesbianismo para derrubar a ordem social misógina e criar uma sociedade mais justa. Elas também procuravam mudar a cultura patriarcal criando novas formas de linguagem (womyn, wimmin) e religião (paganismo, adoração às deusas), além de se engajarem em ações diretas criativas e ousadas, fundando programas de artes e performances e livrarias femininas, e bases para novas teorias de gênero na nova disciplina de estudos sobre mulheres. (27)

Entre as primeiras forças criativas desse movimento estavam as poetas Audre Lorde e Adrienne Rich; Barbara Smith, organizadora socialista feminista e cofundadora do Coletivo Combahee River; e a teóloga Mary Daly.

No todo, ativistas lésbicas contribuíram com energia e resolutividade significativas para o movimento feminista e foram fortalecidas, por sua vez, pelo maior movimento feminista. Elas desempenharam um papel fundamental na luta contra a violência contra as mulheres e pelos direitos reprodutivos; criaram centros LGBTQ nas cidades de todo o país para educação, eventos sociais e culturais e organização comunitária; lutaram contra a discriminação nas forças armadas, em instituições educacionais e religiosas e nos negócios; pressionavam pelo reconhecimento de sindicatos de lésbicas, levando ao movimento pela igualdade no casamento; e lutaram contra leis discriminatórias.

A teoria feminista e o ativismo contribuíram para ampliar as visões da identidade de gênero que continuam a se desenvolver no atual movimento LGBTQ, que expandiu e desafiou certos aspectos do pensamento feminista. (sic)

Feminismo trabalhista

À medida que o movimento das mulheres crescia na década de 1970, as feministas trabalhistas preocupavam-se com o distanciamento das preocupações das mulheres pobres e trabalhadoras. Juntamente com as mulheres negras, as feministas da classe trabalhadora estavam entre as que diferiam das reivindicações de feminilidade universal do feminismo liberal. Com diferentes classes e antecedentes raciais, experiências, relações e atitudes em relação aos homens, posições em suas comunidades e orientações políticas gerais, muitas mulheres ativistas rejeitaram as reivindicações do movimento feminista convencional de representar todas as mulheres. Muitas também rejeitaram o que elas viam como o movimento, dando pouca atenção às partes cuidadoras e de “autossacrifício” da vida das mulheres. Em vez disso, essas mulheres valorizavam esses aspectos de suas vidas e queriam que fossem reconhecidas e valorizadas pelo movimento. (28)

Ao mesmo tempo, as mulheres da classe trabalhadora, embora frequentemente excluídas dos relatos populares do movimento de mulheres em massa, foram inspiradas pelo movimento a abrir oportunidades para as mulheres nos ofícios e outras ocupações não-tradicionais. Como escrito em “Irmãs dentro de Fraternidades”: “Elas enfrentaram obstáculos assustadores ao entrar nessas ocupações. No trabalho, sofreram assédio implacável e muitas vezes cruel. Elas também receberam apoio de homens que lhes ensinaram seus ofícios e as ajudaram a navegar em território desconhecido.” (29)

Mulheres individuais conseguiram empregos como bombeiras, carpinteiras, eletricistas, mecânicas e organizadoras de sindicatos. Elas foram ajudadas por organizações como a Emprego Não-Tradicional para Mulheres (NEW), que foi fundada em 1978 para ajudar a quebrar as barreiras de gênero em empregos profissionais sindicalizados; CLUW e vários sindicatos. (30) Em particular, o UAW e a UE se comprometeram a treinar mulheres e abrir suas práticas de contratação, barganharam por benefícios para as mulheres e trabalharam para combater o sexismo no sindicato. As mulheres do sindicato lutavam por igualdade salarial e por políticas que as aliviassem a “dupla jornada”, o segundo turno não-remunerado de tarefas domésticas e de cuidados das crianças. (31)


Referências

1 Betty Friedan, The Feminine Mystique (New York: W.W. Norton and Company, Inc., 1963).

2 Linda Nicholson, ed., The Second Wave: A Reader in Feminist Theory (New York and London: Routledge, 1997), 2.

3 Nancy MacLean, The American Women’s Movement, 1945–2000: A Brief History with Documents (Boston, New York: Bedford/St. Martin’s, 2009), 11–12, 66–69.

4 Ibid., 71.

5 Lerner, Black Women in White America, 599 (see chap. 4, n.14).

6 Ibid.

7 http://feministmajority.org

8 Nancy MacLean, The American Women’s Movement, 16–17; Christine Stansell, The Feminist Promise: 1792 to the Present (New York: The Modern Library, 2010), 234–236.

9 Nicholson, The Second Wave, 2.

10 Stansell, The Feminist Promise, 222.

11 Barbara Epstein, “What Happened to the Women’s Movement?” Monthly Review, Volume 53, Number 1. May 2001. http:// monthlyreview.org/2001/05/01/what-happened-to-the- womens-movement/.

12 Barbara Ehrenreich, “What is Socialist Feminism?” Marxist Internet Archive, accessed August 22, 2016, https://www. arxists.org/subject/women/authors/ehrenreich-barbara/ socialist-feminism.htm.

13 MacLean, The American Women’s Movement, 26.

14 Jane Mansbridge, “How Did Feminism Get to Be?” American Prospect, December 19, 2001, accessed August 22, 2016,. http://prospect.org/article/how-did-feminism-get-be.

15 MacLean, The American Women’s Movement, 27.

16 Mansbridge, How Did Feminism Get to Be?

17 MacLean, The American Women’s Movement, 121–124.

18 Zillah R. Eisenstein, ed., Capitalist Patriarchy and the Case for Socialist Feminism (New York: Monthly Review Press, 1979), 362–372.

19 MacLean, The American Women’s Movement, 142–146.

20 Ibid., 155–157.

21 Ibid., 19.

22 Ibid., 104–105.

23 Ibid., 11.

24 Ibid., 58–59.

25 “Daughters of Bilitis.” https://en.wikipedia.org/wiki/Daughters_of_Bilitis.

26 MacLean, The American Women’s Movement, 101–103.

27 Ara Wilson, “1970s Lesbian Feminism,” The Feminist Ezine, accessed August 22, 2016, http://www.feministezine.com/

feminist/lesbian/1970s-Lesbian-Feminism.html.

28 Cobble, Feminism Unfinished, 62 (See chap. 4, n. 17).

29 “Sisters in the Brotherhoods,” http://www.talkinghistory.org/sisters/index.html.

30 ibid.

31 MacLean, The American Women’s Movement, 8–9.

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