Luta Antimanicomial: da história da “loucura” à necessidade da despatologização

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que saúde mental é “o completo estado de bem-estar físico, mental e social”. Como falar de saúde mental para mulheres, então? Somos adestradas, desde muito novas, para odiarmos nossos físicos e atormentarmos nossos psicológicos com a presença da culpa e a necessidade de cuidar do outro muito mais do que de nós mesmas.

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Mulheres indígenas no Brasil: Dificuldade de efetivação de direitos

O principal entrave para a efetivação de direitos — de todos os tipos — para as mulheres indígenas brasileiras passa diretamente pelo respeito de sua autonomia decisória, evitando-se, principalmente, a universalização da “mulher indígena”, reconhecendo seus saberes tradicionais e respeitando sua reivindicação por uma “jurisdição” própria.

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Trajetória da imprensa feminista no Brasil

A história do feminismo está entrelaçada com a história da mídia alternativa, uma vez que as mulheres desde cedo perceberam a necessidade de se fazerem ouvir, apostando em um discurso de contra-informação que assumiu, em alguns momentos, o duplo papel de denunciar e de mobilizar as mulheres na defesa dos seus direitos e na conquista da cidadania.

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Feminismo Islâmico: a história/origem do véu

A maioria das pessoas acredita que o véu surgiu no islã, mas ele é muito mais antigo, originou-se de antigas culturas indo-europeias, como os hititas, gregos, romanos e persas. Também foi usado pelos assírios -A primeira referência ao véu data de um texto assírio de 13 aC. No texto, a prática de seu uso foi descrita como reservada às mulheres “respeitáveis” da elite; prostitutas e mulheres pobres eram proibidas de usá-lo (Hoodfar, 2003)-. Nestas sociedades, o véu tinha implicações de classe e sexo; assim, a antiga lei assíria exigia que a mulher de classe alta punisse a plebeia que o usasse. A forte associação do véu com o ranque de classes, assim como uma divisão urbana/camponesa, persistiu historicamente até o século passado. Nessa altura, mulheres mais privilegiadas começaram a rejeitar o véu, como a feminista egípcia Huda Sharawi, enquanto a mulher pobre o adotava cada vez mais como um ingresso à mobilidade ascendente. (Uma dinâmica semelhante ocorreu com a amarração de pés na China moderna.)

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O que o Movimento de Mulheres Curdas ensina ao feminismo ocidental?

A Jineologia traz uma consciência crítica para temas como ética, estética, economia, demografia, ecologia, história/história das mulheres, saúde, conhecimento e política – tudo a ser moldado a partir das necessidades específicas e circunstâncias da realidade onde os estudos acontecerão. O objetivo é criar a base científica que faltava à revolução das mulheres.

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A chama do feminismo está viva no Irã

Defender o direito das muçulmanas usarem o véu é perfeitamente apropriado nas sociedades ocidentais em que nativistas e xenófobos estão ganhando força política. Mas deixar de falar contra o véu como um símbolo de apartheid de gênero em países onde seu uso é obrigatório por lei, é uma traição a todos os valores democráticos e feministas que lhes são tão caros.

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A questão das mulheres em Cuba

No entanto, não foi preciso um conhecimento muito profundo das relações sociais em Cuba para perceber que o patriarcado ainda se faz presente ali. O assédio sexual nas ruas é muito presente, o que deixa evidente, de imediato, para qualquer mulher que coloque os pés na ilha, que a revolução não superou o machismo. É também perceptível que os papéis sexuais continuam bem estabelecidos, sendo que o trabalho reprodutivo continua sendo visto como trabalho feminino. Além disso, dentro do próprio território cubano, o índice de desigualdade é diferente, a desigualdade social provocada pela hierarquia entre os sexos vai ampliando conforme se caminha para o leste, segundo o estudo “Índice de Desigualdad de Género en Cuba: Un Enfoque Territorial”.

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Mulher, este é um convite à fúria

Já lidamos a todo o segundo com o peso dos paradigmas que tentam nos enfiar goela abaixo desde o momento em que descobriram a existência do nosso órgão sexual e da nossa (possível) capacidade reprodutora. Não precisamos — nem devemos — carregar o fardo de conter um sentimento tão natural quanto a raiva. Os padrões de gênero não fazem parte de nós; já a angústia e o sofrimento são características determinantes da condição humana, tal qual já era dito desde a modernidade pelos grandes filósofos alemães. Reitero, por fim, o meu convite: que nos dispamos daquilo que eles nos forçam a vestir e passemos a nos revestir com a nossa mais vívida fúria. Ela também é um ato de resistência.

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A queima das bruxas e o incêndio feminista

Desse modo, a caça às bruxas constituiu uma ferramenta de construção de uma nova ordem patriarcal que se preocupou ferozmente em controlar os corpos das mulheres, seu trabalho e suas atividades sexuais, transformando-os em recursos econômicos e, praticamente, propriedades do Estado. Para mostrar o que ser dona do próprio nariz poderia causar, as torturas das mulheres acusadas de bruxaria eram aterrorizantes e podiam ser assistidas por todos em praças públicas: elas eram despidas, depiladas, perfuradas com agulhas em todo o corpo e muitas vezes estupradas. As filhas das bruxas sempre estavam presentes em suas execuções, afinal, era importante dizer para outras mulheres como elas não deveriam se portar.

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Mais bruxas. E todos os dias, mais bruxas.

As bruxas, essas que foram vilipendiadas ao longo da história, estavam envolvidas em todo tipo de problemas. Não eram complacentes com quase ninguém e desagradavam a mais pessoas do que as que com elas simpatizavam. O movimento feminista busca desmantelar o sistema de opressão mais colossal que a humanidade já conheceu: aquele que subordina metade da população que habita esse Planeta Terra. Se a versão bacana do nosso movimento feminista agrada todo mundo (particularmente ao sistema), é porque há algo de errado e temos que questionar seriamente os nossos objetivos.

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O pessoal é político

Quando o Movimento de Libertação das Mulheres (WLM) tomou como slogan “o pessoal é político”, estava dizendo, em poucas palavras, ao mundo em geral que era hora de abrir mão da visão fragmentada da realidade que persistiu concordante com as visões dominantes. O movimento de libertação das mulheres estava colocando na mesa uma declaração sobre a necessidade de deixar de ver a realidade como um quebra-cabeça onde as peças nunca se encaixam. Exigiu que a realidade fosse reintegrada; que a visão do mundo se torne uma em que as vidas individuais fossem vistas como parte de um todo, invés de serem isoladas dos demais eventos.

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Organização política do Movimento Feminista

Parece que aqui a tensão inerente entre as necessidades de realização de metas e as necessidades de manutenção do grupo é completada. Um grupo que tem muito pouca estrutura dedica-se desproporcionalmente ao último, assim como um grupo que tem demais. Pode-se concluir que o que é necessário para a sobrevivência do movimento é não optar nem pela apoteose da eficiência nem pela apoteose da participação, mas sim por manter um equilíbrio entre ambas.

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A tomada liberal do Movimento de Libertação das Mulheres

O sucesso geral da tomada liberal do movimento de libertação das mulheres depende de uma convergência das suas poderosas “costas-quentes” e dos nossos erros, muitos dos quais são discutidos neste artigo e nesta revista [Feminist Revolution]. Um grande problema foi que demoramos um pouco para entender o que estava acontecendo, e algumas de nós percebemos algumas coisas e algumas pessoas mais rapidamente que outras. Como resultado, ficamos confusas e divididas umas com as outras, cada uma lutando em seu próprio dilema, sem perceber a necessidade ou a incapacidade de operar como um grupo.

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Ativismo Feminista Radical no séc XXI

Certamente, as feministas radicais enfrentam um caminho difícil, pois muitas vezes lutamos tanto contra a direita quanto contra a esquerda, incluindo a versão da esquerda da liberação sexual e reprodutiva das mulheres e a versão da direita da moralidade sexual e reprodutiva das mulheres. Mesmo dentro do feminismo, o feminismo radical assumiu questões que outras feministas ou evitam ou escolhem estar do lado oposto, como nas batalhas sobre tecnologias reprodutivas, pornografia, prostituição e transgeneridade. O que é importante para o futuro do feminismo radical é que aquelas de nós que são feministas radicais se envolvam com o mundo. Temos que recuperar este mundo para nós e para outras mulheres.

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O movimento de libertação das mulheres

O sexismo de nossa sociedade é tão difuso que sequer estamos a par de todas as desigualdades que ele gera. Ao menos que a pessoa tenha desenvolvido uma sensibilidade aos seus mecanismos, adotando uma visão deliberadamente contrária, suas atividades são aceitas como “normais” e justificadas sem muito questionamento. Diz-se que as pessoas “escolheram” algo sobre o qual na verdade nunca pararam pra pensar.

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