Mulher, este é um convite à fúria

Já lidamos a todo o segundo com o peso dos paradigmas que tentam nos enfiar goela abaixo desde o momento em que descobriram a existência do nosso órgão sexual e da nossa (possível) capacidade reprodutora. Não precisamos — nem devemos — carregar o fardo de conter um sentimento tão natural quanto a raiva. Os padrões de gênero não fazem parte de nós; já a angústia e o sofrimento são características determinantes da condição humana, tal qual já era dito desde a modernidade pelos grandes filósofos alemães. Reitero, por fim, o meu convite: que nos dispamos daquilo que eles nos forçam a vestir e passemos a nos revestir com a nossa mais vívida fúria. Ela também é um ato de resistência.

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A queima das bruxas e o incêndio feminista

Desse modo, a caça às bruxas constituiu uma ferramenta de construção de uma nova ordem patriarcal que se preocupou ferozmente em controlar os corpos das mulheres, seu trabalho e suas atividades sexuais, transformando-os em recursos econômicos e, praticamente, propriedades do Estado. Para mostrar o que ser dona do próprio nariz poderia causar, as torturas das mulheres acusadas de bruxaria eram aterrorizantes e podiam ser assistidas por todos em praças públicas: elas eram despidas, depiladas, perfuradas com agulhas em todo o corpo e muitas vezes estupradas. As filhas das bruxas sempre estavam presentes em suas execuções, afinal, era importante dizer para outras mulheres como elas não deveriam se portar.

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