Quando uma menina não é uma menina

Quando ouvimos histórias de crianças “trans” na mídia geralmente nos ocorrem duas coisas. Primeiramente, a imagem da criança fofa e vulnerável — quase sempre um menino de cabelos longos de rosa e tutu de balé — e, em segundo lugar, o amor ardente e o apoio fornecidos pelos pais. Questionar essa narrativa parece rude, até cruel: na maioria das vezes, os pais conhecem melhor suas crianças, e essa criança obviamente precisa de proteção da realidade dura da cultura moderna. Talvez tenhamos um pensamento efêmero de que talvez o melhor interesse da criança não esteja sendo atendido quando ela é exposta por todos os cantos da mídia; mas nós vemos fofura, nós vemos amor e nós seguimos em frente, orgulhosos de que nossos corações são tão inclusivos e de que o rótulo “transfóbico” não se aplica a nós. Nós dizemos a nós mesmos “a história precisa ser contada, a mensagem precisa ser espalhada”. Mas que mensagem é essa, exatamente?

A mensagem é muito simples e muito perigosa, especialmente para mentes jovens e em crescimento. A mensagem é de que existe um jeito “certo” e um jeito “errado” de se ser uma menina ou um menino.

Em entrevistas com os pais de crianças “trans” nós ouvimos como a garota gostava de super-heróis e odiava vestidos, ou como o menino amava dançar e cantar. Com meninos, o amor por glitter e por rosa é frequentemente visto como uma prova conclusiva da transgenereidade; o desejo por cabelo curto e o interesse por esportes físicos é o que quase sempre “prova” que uma garota é, na verdade, um garoto. Em alguns casos, os pais pareciam descontentes com as escolhas de interesses da criança; alguns batiam na criança que não se conformava com seu gênero, ou tentavam forçá-la aos papéis convencionais tirando dela os brinquedos ou roupas que eles considerassem inapropriados. A reticência da criança e sua crescente infelicidade por conta dessas imposições são usadas como “provas” da autenticidade do argumento de cérebros rosa/azuis.

Uma mãe fala de como ela sente falta das horas que ela passava arrumando o cabelo de sua filha em trancinhas e penteados fofos: o fato de que o seu agora filho é muito mais feliz com cabelo curto é uma prova de que a criança nasceu no corpo errado ao invés de ser um alívio compreensível por não ter mais seu cabelo puxado pra lá e pra cá. Um menino de oito anos, objeto de um documentário de um canal britânico, sentiu que se esperava que ele “escolhesse” ser menino ou menina. Em primeira análise, parece haver pouco mais do que um desejo de brincar de jogos e de usar roupas usualmente associadas com o sexo oposto, mas outro, mais obscuro, fator a ser considerado é o quanto o sexismo e a homofobia casuais afetam essas crianças. Uma mãe postou no Twitter que estava orgulhosa de que sua criança poderia casar na igreja agora que ela é trans: sua religião teria rejeitado seu filho gay, mas abraça sua filha trans. Um menino jovem que agora “vive como uma garota” falou de como ele estava ansioso por abraçar e beijar seu futuro marido. Uma menina adolescente que fez dupla mastectomia fala o quão ótimo é poder fazer topless na praia, finalmente.

Qualquer sugestão de que o comportamento da criança é uma rebelião contra os estereótipos de gênero da sociedade se encontra com a insistência de que é mais do que isso — pais vão dizer que a criança insistia que ela se sentia como o sexo oposto; que ela “nasceu no corpo errado”. Parece surpreendente que estejamos prontos a encorajar uma criança a uma vida inteira de distrações, medicações e cirurgias baseados em pouco mais do que tem sido descrito como “os caprichos de bebês”.

A sobrinha de 4 anos de idade de uma amiga pensou que suas novas asas de fada a fariam voar de fato. Meu cunhado tinha certeza absoluta, aos seis anos, de que se ele pulasse do alto de uma pilha de madeira a quantidade suficiente de vezes, ele eventualmente decolaria. Eu tinha uns seis ou sete anos quando parei de acreditar que meus brinquedos adquiriam vida à noite e conversavam uns com os outros. Crianças acreditam em coisas esquisitas. Esse é um dos motivos de precisarem de adultos para protegê-las.

A criança que se identifica como trans gosta de brinquedos, de roupas e de hobbies mais associados com o sexo oposto, e isso leva ao sentimento de que ela é, de fato, do sexo oposto. Empurre mais do que isso, e você dá de cara com a parede. A garota gosta de coisas de garoto. Ela “se sente” como um garoto. A criança está incomodada; os pais estão incomodados; é uma situação horrível e pode parecer haver uma forma rápida de se consertar isso, mas esse conserto é baseado em uma mentira. Um menino não pode saber o que significa se sentir como uma garota. Para além da estrutura biológica, não há uma experiência única do que é ser uma garota, e ainda que neurocientistas possam, muitas vezes, ter um palpite educado, ainda não podem afirmar com certeza se um cérebro é masculino ou feminino. Do lado de fora dos reinos dos unicórnios brilhantes, dos lagartos alienígenas gigantes e daqueles que tomam uma boa xícara de chá de cogumelo à noite, não é possível “nascer no corpo errado”, e até pouco tempo atrás era perfeitamente tranquilo admitir que todos sabemos disso. Então, como é que chegamos tão rapidamente ao ponto em que estamos medicando crianças pré-púberes, dizendo para elas que é possível magicamente “mudar de sexo” e removendo partes saudáveis de seus corpos?

A nova ideia é de que uma garota que diz que é um garoto, ou um garoto que diz que é uma garota, deveria imediatamente afirmar essa ideia e mudar seus pronomes, e que qualquer pessoa que disser outra coisa é transfóbica e culpada por apoiar terapias de conversão. Pessoas têm perdido seus empregos por questionar que essa talvez não seja a melhor rota. Existe inclusive a ideia de que crianças com pais que não respeitam sua identidade trans devem ser removidas de seus lares e tuteladas pelo Estado.

“Terapia de conversão” realmente parece terrível, um retrocesso às agressões, aos choques e à lavagem cerebral a que lésbicas e gays eram sujeitos até a metade do século passado. Então o que é isso, na verdade? Não estamos falando de agressões, choques e lavagem cerebral aqui.

“Terapia de conversão” é o rótulo que tem sido dado à ideia de tentar ajudar as crianças a se sentirem mais confortáveis em suas próprias peles, e a aprenderem a ser mais felizes com o corpo que elas têm. Parece esquisito sugerir que não vale tentar. Final, nós sabemos que, historicamente, em torno de 80% das crianças que não se conformam com seus gêneros se descobrem gays ou lésbicas quando crescem.

Estamos falando de escutar a criança, discutir seus sentimentos e garantir que a criança de fato entende que odiar rosa e gostar de Bob, o construtor, ou que gostar de garotas e que realmente, realmente querer ser o vocalista principal do 21 Pilots, não significa que ela É um garoto.

Estamos falando aqui de dizer a uma criança que ele não deve mudar seu corpo por conta de seus hobbies ou das roupas que ele gosta de usar; que gostar de brilho e de rosa e de dançar não o torna menos menino. Estamos falando aqui de dizer a uma criança que ela é perfeita assim como é, e que ela não precisa se modificar para caber nas noções da sociedade do que é um comportamento de gênero socialmente aceitável. Estamos falando aqui de encorajar o número exponencialmente crescente de meninas adolescentes que odeiam seus corpos e que querem remover seus seios a ir devagar, esperar um pouco antes de pular; não há necessidade de mudar seu nome para Aiden, Skyler, Alex ou Ryan ainda…

Como alguém pode pensar que isso é uma má ideia?

Você quer um filho vivo ou uma filha morta?

As taxas de tentativa de suicídio entre pessoas que se identificam como transgênero são altas, e pais e professores preocupados por aí estão ouvindo que uma criança que é repetidamente tratada no gênero errado, ou que é proibida de “viver de forma autêntica”, provavelmente vai se matar. A frase “você quer um filho vivo ou uma filha morta?” aparece de novo e de novo. Ainda assim, ao mesmo tempo, temos de acreditar que se identificar como transgênero não é um sinal de doença mental. Essa demanda por esse “duplipensar” também está implícita na ideia de que transicionar uma criança é, de alguma forma, um ato de autenticidade, e de que um menino que diz que ele é uma menina é, literalmente, uma menina.

Nossa mídia está impregnada pela ideia de que pessoas que se identificam como trans vão se matar — ou, ao menos, se mutilar — se seu sentimento de que estão “presas no corpo errado” não for imediatamente confirmado por todas as pessoas. Reportar isso é irresponsável por inúmeras razões.

site do governo britânico informa que “provavelmente, a influência que mais tem promovido o desenvolvimento de suicídios em massa é a propagação de notícias sobre suicídios por meio da mídia”.

Um site do governo estadunidense acrescenta, “notícias de suicídio não deveriam ser repetitivas, porque a exposição prolongada pode aumentar a probabilidade de contágio suicida… a cobertura midiática não deveria reportar explicações supersimplificadas”.

Jornalistas têm consciência dessas diretrizes, mas por alguma razão considerações éticas são jogadas janela afora quando se trata da juventude trans. Nós não ouvimos de novo e de novo, por exemplo, que pessoas com anorexia têm 56 vezes mais chance de cometerem suicídio do que pessoas que não o são. Não ouvimos que de 25 a 50% das pessoas com distúrbio bipolar, e que 60% dos homens com esquizofrenia, vão tentar suicídio pelo menos uma vez na vida.

Não vemos artigos sobre suicídio nesses grupos vulneráveis regurgitados de novo e de novo, porque a imprensa sabe que isso seria jornalismo irresponsável. Apesar disso, se é sobre crianças que se identificam como trans, a mídia parece reagir quase que com uma alegria macabra; todas as tentativas de se manter leal à verdade são jogados janela afora e artigos contendo especulações selvagens e — no caso recente e trágico de Louise/Alex/Leo Etherington — mentiras descabidas são reportadas na mídia.

A mensagem que tais reportagens nos dá é afirmativa: diz às pessoas, especialmente à juventude, que suicídio é uma solução aceitável e viável a seus problemas. Sabemos que o contágio de suicídio é uma coisa muito real. Apesar disso, felizmente, o número de crianças que se identificam como trans que de fato cometem suicídio parece ser baixo, e a imprensa sensacionalista se baseia mais em especulações e em reportagens falsas.

As estatísticas mais renomadas citadas em favor da transição precoce é de que 41% das pessoas trans tentam suicídio. Isso é regularmente jogado na imprensa e às vezes reportado inclusive como 48%. Mas essa pesquisa incluía não só pessoas que se identificavam como trans, mas também pessoas que não se conformavam com seu gênero e gays/lésbicas adultas, e a definição de “tentativa” de suicídio era meio embaçada. Uma pesquisa citada por muitas organizações como tendo 2000 participantes trans tinha apenas 27. Há inúmeros artigos excelentes disponíveis online que desmascaram essa estatística.

As figuras são chocantes e tristes mesmo se exageradas. Pessoas que se identificam como trans têm bem mais risco de suicídio do que a maioria de nós. Isso é errado, e nós deveríamos estar tentando fazer algo a respeito. Se a transição precoce de fato produz melhores resultados a longo prazo para essas crianças, então deve ser uma coisa boa, não é? Bom, na verdade, não há nenhum estudo que comprove que isso seja verdade.

Tornar-se um paciente pro resto de sua vida não parece ajudar a diminuir os sentimentos de desespero. Tem se provado que a testosterona aumenta os sentimentos de raiva, e que o estrogênio pode aniquilar o desejo sexual. Medicamentos devem ser mantidos e cirurgias têm complicações. Figuras do Centro Nacional pela Igualdade para Transgêneros mostram que pessoas que se identificam como trans pós-operadas mostram níveis mais altos de tentativas de suicídio, mas não especificam se essa tentativa foi antes ou depois da transição. Por outro lado, uma pessoa que se identifica como trans que transicionou medicamente tem 7,5% mais chances de ter tentado suicídio em algum momento em sua vida do que uma pessoa que ainda não transicionou.

Apesar de essas estatísticas não mostrarem se a própria transição aumenta diretamente as taxas de suicídio, não há nenhuma estatística que mostre que a transição diminui os sentimentos suicidas a longo prazo. Ainda assim, as pessoas correm para falar para os pais de crianças que talvez nunca tenham tido pensamentos suicidas — e até para as próprias crianças — sobre o alto índice de suicídio de pessoas disfóricas. Quando é sugerido que a transição é uma cura milagrosa para qualquer problema enfrentado por alguém com disforia, as pessoas começam a acreditar nisso.

Uma criança que sente disforia já está confusa e infeliz. Compreensivelmente, se ouvem ou leem sobre a alta taxa de tentativas de suicídio, elas podem pensar “se eu não transicionar, eu vou morrer”. A partir daí, é questão de tempo até falarem para seus mais “me apóiem ou eu vou me matar”. Para todo lugar a que olham, são ditas que isso é comportamento normal de pessoas trans; que isso é o que crianças “trans” “reais” fazem. A idealização do suicídio está rapidamente se tornando uma parte essencial da identidade trans. Como uma mulher relfetiu:

Como adolescente, eu já fui aconselhada por uma pessoa trans mais velha que se eu dissesse para as pessoas que eu não tinha histórico de suicídio, ninguém acreditaria em mim.

Não há evidência nenhuma que sugira que a transição de fato reduz a ideação suicida, e apesar de haver uma chance de que na verdade essa ideação aumente, por que estamos com tanta pressa em transicionar crianças? Ao invés de deixá-lo “brincar de bonecas, deixá-la cortar seu cabelo, deixá-los amar quem quiserem nos corpos que têm”, pais estão ouvindo, “você prefere ter um filho vivo ou uma filha morta”. Não é de se espantar que estejam aterrorizados. A pressão à transição precoce significa que crianças que poderiam ter resolvido suas questões mudam seus pronomes e nomes logo aos três anos. Agora, isso é o que eu chamo de “terapia de conversão”.

De onde estão vindo todas essas crianças trans?

Quando o filho de cinco anos de uma amiga usou um vestido de princesa para a festa de um coleguinha da escola, ela recebeu diversos e-mails de pais e mães bem-intencionados que direcionavam para artigos de “Como Identificar se sua Criança é Trans”. Ela não está preocupada com as preferências de seu filho por coisas “de menina”; ela está extremamente preocupada com a possibilidade de algum genitor ou docente bem-intencionado e hiper-zeloso convencer seu filho de que ele “nasceu no corpo errado”, e, como tal, está destinado a uma vida tentando “se passar” por uma garota. Ela também se sente desconfortável que outros pais pareciam até animados com essa perspectiva: como se o filho dela pudesse ser visto como um troféu da progressiva inclusividade do grupo.

Outra amiga recentemente visitou uma escola secundária em potencial para sua criança e foi atingida pelo entusiasmo com que a coordenadora falou sobre seus “estudantes trans”: como se sua inclusão fosse algum tipo de medalha de honra para a escola. Trans é novidade! Trans é empolgante! Olha como nós somos “descolados”!

Em uma recente cadeia de comentários em um site, discutiu-se sobre uma jovem lésbica que se encaixa em “papéis masculinos de gênero” e que sofria bullying na escola por se recusar a dizer-se transgênero. A menina não estava recebendo nenhum apoio da direção da escola: evidentemente ela irritou os professores porque ela “mexeu [triggered] com as crianças trans”. Quantas crianças trans existem na sala dessa menina de 12 anos? Nunca soubemos.

Sabemos, entretanto, que na escola St Paul’s Girls, uma escola particular de Londres que aprovou 108 discentes na Universidade em 2016, há atualmente no mínimo dez pessoas transgênero no sexto ano. Com 18 anos, essas meninas podem começar a transição médica mesmo sem o apoio de seus pais. E o quão tentador deve ser, quando todos em sua volta estão lhes dizendo o quão corajosas e especiais elas são. Pessoas jovens adoram experimentar. Ao contrário de meninas jovens que frequentemente experimentam diferentes identidades sexuais (às vezes conhecidas como Lésbicas Até a Formatura), ser “trans para a faculdade” pode deixar meninas que tomam testosteronas com uma série de problemas médicos se elas não optam pela cirurgia. A maioria das universidades vão apoiar 100% seus estudantes em sua transição, e até vão ajudá-los a “se esconder” de seus pais que “não apoiam”.

Ser gay é tão século XX… adolescentes trans nascem de novo. Eles rasgam as fotos antigas; eles jogam as roupas fora; aquilo era seu ‘eu’ antigo, seu ‘eu’ ‘errado’ que fez todos aqueles erros. O nome que simboliza sua infância se torna um nome morto. Eles não planejam muito à frente no futuro, claro que não, porque são crianças e sabem que estão certas.

Elas podem começar de novo. Soa como o nascer do sol.

E quanto às escolas?

Apesar de nós pensarmos que as escolas, com suas ênfases em tradição, uniformidade e praticidade, seriam uma voz do senso comum nisso tudo, parece que essa histeria coletiva chegou até a União Nacional de Docentes. A União recentemente decidiu que as questões de transgêneros deveriam ter mais importância nas escolas. Docentes agora se encontram sob pressão para ativamente apoiarem a ideologia que define crianças que não se conformam com seu gênero como “trans”. Além disso, docentes que criticam a ideia de gênero acabam mantendo suas bocas fechadas com medo de trazer problemas para si. Se uma escola tem uma política de “incorporar os pronomes decididos”, o/a professor/a terá de se referir a uma garota como um garoto, mesmo que ele/a saiba perfeitamente que se trata de uma garota. Chegamos a um ponto em que um/a professor/a talvez tenha que escolher entre mentir para uma criança — consequentemente, sendo cúmplice da fantasia da criança — e perder seu emprego. Isso já está acontecendo nos Estados Unidos, onde uma professora perdeu seu emprego, e uma escola particular está sendo processada por não cooperar com o pedido da família de um menino para que se refiram a ele como menina.

Quem são esses experts em gênero e o que eles ganham com isso?

Afinal, quem são esses experts tão entusiasmados em transicionar suas crianças pelo bem da autoexpressão e da autenticidade? Há três principais organizações que têm influência no Reino Unido: GIRES, Gendered Intellicenge e o Mermaids.

GIRES (Gender Identity and Research Society — Sociedade de Pesquisa e de Identidade de Gênero) tem um nome impressionantemente sonoro mas não é nem uma organização profissional, nem uma fundação acadêmica. Como outras, foi organizada por pais e mães de crianças transgênero. GIRES quer ensinar “teoria de gênero” para crianças tão novas quanto 2 anos, e parece que a União de Docentes está de acordo com isso. GIRES está enviando “experts de gênero” para escolas para encher as cabeças das crianças com a noção de que ser “trans” lhe torna um “pinguim especial” (acesse aqui as apostilas e note a péssima gramática).

GIRES diz a docentes que esse fenômeno tão especial deveria ser premiado com um bolo ou uma festa. Isso só serve para confundir crianças jovens o suficientes para acreditar na Fada do Dente e no Coelhinho da Páscoa. A GIRES é bastante sincera sobre seu interesse de ensinar a crianças pequenas sobre a ideologia transgênero “antes de as visões da criança serem influenciadas pelos preconceitos de pessoas adultas a seu redor”. Essa é uma admissão impressionante do desejo de influenciar as ideias de crianças muito pequenas sobre assuntos que elas não conseguem entender. O resultado desse tipo de conversa em uma escola primária foi discutido em um fórum de mães, em que uma mãe — que não havia sido avisada de que a conversa aconteceria — comentou sobre a reação de sua criança. A mais velha lhe contou que “você pode escolher ser menina ou menino e você pode tomar hormônios para mudar”, enquanto que a mais nova lhe disse que “não conseguia decidir se seria um menino ou uma menina… e queria saber qual remédio tomar”. Engraçado, não foi engraçado.

Gendered Intelligence é outra organização com nome sonoro na missão de educar a juventude. Seu site diz que a GI tem um “interesse especial” em jovens trans com menos de 21 anos. De fato, GI produz uma apostila bem útil sobre gênero para pessoas jovens, que contém esse conselho positivamente falocêntrico:

“Uma mulher ainda é uma mulher mesmo que ela goste de receber boquetes. Um homem ainda é um homem mesmo que ele goste de ser vaginalmente penetrado.”

Valeu, GI. Agora ficou mais claro.

“Mermaids” (“sereias”), frequentemente mencionada na imprensa como o primeiro lugar a que recorrem pais e mães de crianças que questionam gênero, é outra organização mantida por pais e mães famosos que acreditam que suas crianças nasceram “no corpo errado”. Uma criança (agora um jovem adulto) é louvada no YouTube como “o transexual mais jovem do mundo” e tem sua missão de se tornar uma princesa televisionada. Ele foi levado ao exterior para cirurgia de redesignação sexual aos 16 anos. Sua mãe, Susie Green, é a CEO da Mermaids.

Susie Green insiste que “meninas gostam de brincar com casas de boneca” e enfatiza a importância de as crianças “se encaixarem”. A equipe do Mermaids repetidas vezes já chamou os pais e mães de crianças identificadas trans de “vadias” e “TERFs” no Twitter, e já “curtiram” os chamados de transativistas por violência contra mulheres críticas ao gênero.

Até agora, não há sequer um testemunho no site do Mermaids de uma família cuja criança que no final não era “realmente” trans. Os pais e as mães das crianças que desistiram tendem a se calar. A existência de desistências e de pessoas que destransicionam é desconfortável para grande parte da comunidade trans. Crianças que desistem são repudiadas porque “nunca foram trans” e suas vozes raramente são ouvidas.

Mermaids tem sido financiada por ambas National Lottery (loteria do Reino Unido) e Children in Need e por ser encontradas em marchas e em eventos de Orgulho LGBT, oferecendo a crianças sacos de doces e carinho em cachorrinhos.

“Precisa de um pouco de energia depois de andar tanto na marcha de orgulho Trans de Brighton? Temos doces na tenda da Mermaids! Venha dizer oi!” / “Temos essa belezinha dando abraços DE GRAÇA na tenda da Mermaids na marcha de orgulho trans de Norwich! Do que mais você poderia precisar?”

Não deveria ser surpreendente que pais e mães de crianças que transicionaram sejam tão apaixonadamente apoiadores da necessidade de transição, e estão interessadíssimos em dar boas vindas a outras pessoas. Muitas dessas pessoas passaram por um inferno convivendo com a disforia ou não-conformidade de gênero de sua criança e a infelicidade que isso traz. Com a ajuda da internet, e de “experts” como os mencionados acima. muitos pais e mães chegam à conclusão de que “nascer no corpo errado” realmente existe, que de fato existem cérebros azuis e cérebros cor-de-rosa e que sua criança será o mais feliz possível se seu exterior é “arrumado” para combinar com seu interior de forma que elas possam se conformar aos estereótipos de gênero da sociedade. Para algumas dessas crianças, talvez acabe sendo verdade que precisam se apresentar como o sexo oposto para ter uma vida adulta satisfatória — para algumas poucas, isso talvez seja inclusive uma questão de sobrevivência. Mas esses números são historicamente minúsculos e a epidemia corrente está resultando na transição de pessoas jovens numa taxa exponencial. Não é fácil ter uma criança que se identifica como trans. Você teme por elas. Minha filha mais velha se identificou como garoto por 9 meses. Eu sei que a maioria dos pais e das mães ama suas crianças mais que tudo; e tomaram decisões difíceis ouvindo conselhos de experts de gênero. Mudaram os nomes de suas crianças, os pronomes, até seus corpos. Seus mundos e famílias viraram de cabeça pra baixo. Existem nesse meio até algumas subcelebridades. Esses pais e essas mães têm de acreditar que tomaram a melhor decisão, e quanto mais “crianças trans” existirem por aí, mais razoáveis se tornam suas decisões: essas pessoas se asseguram de que não cometeram um erro terrível. Tudo isso, apesar de não haver nenhuma evidência histórica de “crianças trans” em nenhum momento da história antes dos últimos 30 anos.

Essas organizações não dizem às crianças o futuro que lhes espera quando afirmam que uma menina é na verdade um menino, ou vice-versa. Uma vez que todas as pessoas à sua volta estão reforçando seu delírio deve ser muito difícil voltar atrás da lustrosa e glitterizada estrada de tijolos amarelos. É ainda mais difícil para aquelas que destransicionam. Zhara, de 21 anos, diz, “Parece estranho então eu não costumo falar. É constrangedor. É constrangedor voltar.”

Quando organizações encorajam criancinhas a usar “os pronomes de sua preferência” e a mudarem seus nomes, elas não lhes dizem os detalhes das operações de que vão precisar se quiserem se parecer realmente com um homem ou com uma mulher. Esses contos macabros não são historinhas de dormir para menininhos que só querem usar um tutu de bailarina e levar uma boneca para a cama, ou para menininhas que só querem ter cabelo curto de forma que não lhes atrapalhe quando jogam futebol. Elas podem descobrir tudo isso mais tarde, depois dos bloqueadores de puberdade. As organizações não contam a essas crianças que mamilos reposicionados podem sair depois da mastectomia e que o tecido cicatricial talvez doa para sempre. Não contam que podem nascer pêlos por dentro das neo-vaginas; que elas precisam de dilatação constante ou cicatrizarão; que muitas mulheres trans nunca se sentem confortáveis de serem penetradas — isso para aquelas em que isso é possível. Também não contam que algumas mulheres trans ainda reclamam de que dói quando elas ficam em pé menos anos depois do pós-operatório. Não contam para menininhas que elas terão de ter grandes faixas de pele cortadas de seus braços ou coxas se quiserem ter um neo-pênis, que pode vazar urina dele, e que provavelmente terão de inflar e desinflar seu novo brinquedo com uma bomba se quiserem fazer sexo penetrativo. Não contam para as crianças que muitas pessoas — mesmo aquelas que eventualmente as amem — podem se sentir incapazes de desenvolver uma relação física sob essas circunstâncias, ou de aceitar entrar numa relação com um eterno paciente, ou que parceiros/parceiras em potencial talvez não engulam esse conto-de-fadas de “nascer no corpo errado”. Não contam para as crianças que elas talvez tenham que enfrentar uma vida de pessoas lhes “atribuindo o gênero errado” mesmo que elas se assegurem um imenso coquetel de medicamentos caros e perigosos para ajudar-lhes a perpetuar essa ilusão. Não contam para as crianças que algumas pessoas ao seu redor estarão sempre pisando em ovos, enquanto que outras vão cochichar em suas costas. Elas só contam que qualquer pessoa que questiona a transição é “transfóbica” e cheia de ódio, e que essas crianças são especiais.

Todas as pessoas em que essas crianças deveriam confiar estão mentindo para elas: profissionais da medicina, psiquiatras e docentes. Essas crianças estão sendo reinventadas, medicadas e operadas e um experimento bizarro ao estilo de Dr Moreau que só pode acabar em desastre para a maioria delas. Quão difícil é ver que gênero é uma performance que nos torna paródias de nós mesmas?

Longe de ser uma expressão de autenticidade, Transtopia é um sintoma do quão incrivelmente superficial nossa sociedade “civilizada” se tornou. Transicionar crianças é errado. É abuso. Vou me jogar de um penhasco.

Meninas que têm cabelo curto e gostam de usar camisetas de bandas frequentemente são questionadas quanto a seu “pronome de preferência”, enquanto que ninguém sonha em fazer essa mesma pergunta para uma garota em um vestido. Isso passa a mensagem para crianças que não se conformam com seu gênero de que elas não sabem “ser garotas” direito, ou que elas não são “homens o suficiente” para serem garotos “de verdade”. Isso não é progressista: é um absurdo sexista.

GIRES sugere a docentes que crianças que se identificarem como trans deveriam receber uma festa, ou um bolo, da escola. Diversos autores — pra dizer o mínimo — estão editando livros mal ilustrados sobre como é especial e excitante ser trans. Esses livros dizem às crianças que a identidade de gênero é mais importante do que a biologia e que se elas não são “como o resto” e não querem fazer coisas “de menino/de menina”, é quase certo de que é porque são trans.

Enquanto isso, meninos que se identificam como meninas e correm e ganham corridas em times femininos são chamados de corajosos e pioneiros. Meninas que não querem compartilhar o banheiro com ele ou se vestir na frente dele são chamadas de transfóbicas e intolerantes.

As estatísticas de que “80% das crianças em inconformidade de gênero crescem e se tornam gays/lésbicas felizes” é quase com certeza algo do passado, porque essas crianças estão sendo transicionadas tão jovens que não têm nem chance de descobrir se são mesmo gays ou lésbicas. Não se engane: isso é eugenia gay em ação.

Ninguém atualmente realmente liga para o que crianças homossexuais possam pensar ou precisar. Gay é tão século 20. Vamos nos perguntar: o que poderia dar errado?

Quão jovem é jovem demais para transicionar?

A “expert” de gênero Diane Ehrensaft, uma Psicóloga Comportamental com PhD, fez a alegação super famosa de que um menino trans bebê pode desabotoar seu macacão para fazer um vestido; e que uma menina trans pode arrancar suas presilhas.

Notícias na imprensa sugerem que pais e mães estão transicionando crianças de até 2 anos por conta de sua preferência por brinquedos ou e roupas “erradas”.

Por que isso está acontecendo e quem lucra com isso?

Por inúmeras razões, muitas pessoas estão muito interessadas na ideia de que há crianças trans. Gênero é uma performance, um conjunto de estereótipos sociais que são especificamente danosos às mulheres. Então por que estamos forçando criancinhas a se encaixarem em caixas de gênero ao invés de falar pra elas o quanto elas são maravilhosas do jeito que são, especialmente quando os custos físicos e psicológicos da transição são tão evidentes?

A Foundation for Funding for Trans Communities (Fundação para Financiamento de Comunidades Trans) escreve sobre a medicalização de crianças intersex e como isso leva a “esterilidade, dor permanente, cicatrizes, perda de sensibilidade e de função”. Parece justo presumir que a medicalização de crianças trans-identificadas pode levar a resultados parecidos.

Uma organização que provavelmente não concordaria é a Transfigurations. Essa organização organiza dias de brincadeira para crianças — completos com suco de graça e castelos infláveis — em que crianças podem aprender sobre questões de pessoas “trans e LGB” (viu o que fizeram ali?). Seu site frequentemente apresenta propaganda paga de cirurgiões plásticos.

O que nos leva a uma grande questão — de fato quem está lucrando com isso? Bem, as vendas da droga de supressão da puberdade Lupron dispararam nos últimos anos. Em torno de 900 relatórios sobre os efeitos colaterais a longo prazo em crianças com menos de 13 anos foram levados à FDA (n/t: a “ANVISA” dos Estados Unidos), que incluem problemas ósseos e de mobilidade. Os fabricantes de Lupron conhecidamente não são tímidos quanto à promoção de seu uso fora das indicações específicas — em 2001, o financiador da Lupron foi multado em 875 milhões de dólares por conspiração para violar as leis de prescrição médica.

“Nós sabemos que há alguma diminuição na densidade óssea durante o tratamento com a supressão da puberdade”, diz Drª Courtney Finlayson, que fica feliz de prescrever bloqueadores para crianças, apesar disso.

“A questão é que não sabemos de fato como os hormônios sexuais impactam o desenvolvimento cerebral de adolescentes”, diz a pediatra Drª Lisa Simons.

O que sabemos é que bloqueadores de puberdade, proclamadamente inofensivos por quem os prescrevem e estimulam seu uso, não só dão mais tempo. Efeitos colaterais não são só físicos, como frequentemente é sugerido — parece que as crianças trans-identificadas que tomam bloqueadores de puberdade invariavelmente acabam transicionando.

“Nunca acompanhei ninguém que recebeu bloqueadores e que não quis continuar com a transição hormonal mais adiante”, diz Drª Johanna Olson, diretora de um hospital boltado a crianças trans em LA.

Não é de se surpreender. Uma criança expressou sua crença de que está “no corpo errado” e isso tem sido afirmado pelas pessoas em que a criança confia. A transição social se sucedeu, então consultas e medicação. Colegas da criança passaram pela puberdade, mas a criança não, o que só pode aumentar sentimentos de “diferença” e de disforia. Pai e mãe da criança e médicos apoiaram suas decisões: às vezes até as tomaram pela criança. É mesmo uma surpresa que essas crianças acreditem que o que está acontecendo com elas é certo ou que elas engulam suas dúvidas de forma a evitar o sentimento de que elas decepcionaram as pessoas que as amam e as apoiaram?

Os efeitos colaterais da testosterona, que é utilizada por meninas trans-identificadas (na maioria das vezes, mas certamente não sempre, por aquelas com 16 anos ou mais) para ajudá-las a desenvolver pelos faciais e vozes mais graves, podem incluir calvície, acne, problemas respiratórios, raiva, disforia e irritabilidade, para nomear apenas alguns dos mais de 50 efeitos colaterais listados pelo drugs.com.

Drª Helen Webberley recentemente foi legalmente proibida de prescrever testosterona a meninas tão jovens quanto 12 anos. Se ativistas conseguirem o que querem, isso vai ser normal.

O Centro LGBT de San Diego avisa: “O uso de progesterona em tratamentos hormonais pode aumentar esse risco. Mulheres trans que tomaram hormônios podem ter risco aumentado de câncer de mama. Excesso de testosterona no corpo pode ser convertido em estrógeno. Excesso de estrógeno aumenta o risco de câncer de mama.”

Então nós sabemos que medicar adolescentes com testosterona e progesterona pode causar uma horda de efeitos colaterais negativos, desde o aumento da disforia (que as drogas deveriam ajudar a tratar) até câncer e esterilidade. Por que ainda estamos fazendo isso? Por que ainda não podemos nem questionar a moralidade de fazer isso?

Em 2013, as vendas de testosterona chegaram a 2.4 bilhões de dólares anuais. Em 2016, o jornal The Guardian fez um artigo dizendo que “A análise de mais de 200 estudos conduzidos desde 1950 descobriu que não há validade na representação da testosterona, pela indústria farmacêutica, como uma droga milagrosa para homens em processo de envelhecimento”. Apesar disso, até 2018, o rendimento anual gerado pela venda de testosterona nos Estados Unidos alcançará os 3.8 bilhões de dólares.

Agora há um novo mercado para testosterona — jovens mulheres.

O site de saúde trans “revel and riot” avisa mulheres que uma vez que elas desenvolvem barbas e pelos corporais, parar com a testosterona não vai fazê-los desaparecer.

Nas palavras de uma jovem mulher que passou um ano tomando testosterona antes de se re-identificar como garota: “Eu soo como um homem… minha voz nunca vai mudar… tenho 17 anos e já arruinei minha vida”.

“Revel and riot” também avisa sobre a calvície masculina que muitas vezes é engatilhada pela testosterona e sugere que mulheres tomem ainda outra droga, Finasteride, para tentar prevenir isso. Finasteride originalmente foi desenvolvida para tratar próstatas aumentadas. Em 2008 suas vendas globais eram de 750 milhões de dólares.

É improvável que Finasteride beneficie pessoas transgêneros a longo prazo, conta a Revista de Dermatologia Experimental, uma vez que “a droga tem sido associada à indução de depressão, ansiedade e ideação suicida, sintomas que são particularmente comuns em pacientes com disforia de gênero, que já estão em alto risco”.

É claro, crianças trans-identificadas vão precisar então de medicamentos para os sintomas acima também: e então o ciclo de lucro sem fim da medicação continua.

Mas todos e todas sabemos que a Grande Farmácia está nisso pelo dinheiro. Quem mais lucra?

Enquanto que muitos terapeutas tenham diplomas em medicina ou em psicologia, qualquer pessoa pode se dizer terapeuta de gênero e muitos terapeutas de gênero se identificam como trans eles mesmos. Não há certificação ou processo de credenciamento pelo qual você precisa passar para poder se dar esse título. Uma terapeuta de gênero é bem franca sobre isso em seu site, sugerindo que isso ajuda “a poder dizer ‘eu sou membro disso, eu sou membro daquilo’”.

Qualquer pessoa pode se tornar um membro associado da WPATH (a Associação Profissional Mundial para Saúde de Transgêneros). A qualidade de associado vai ficar bonita no seu site ou no papel timbrado e é uma bagatela de 200 dólares por ano.

Ou você pode fazer esse curso de uma hora, aprovado pelo GIRES, sobre “variância de gênero”.

Viu? Invista algum tempo e dinheiro e suas credenciais de especialista em gênero já parecem boas.

Os grandes lucradores são profissionais de medicina. Não só quem prescreve hormônios ou bloqueadores de puberdade, mas quem faz cirurgias.

Vamos pegar um momento para refletir sobre as palavras de Joanna Olson, uma pediatra estadunidense cuja página na Wikipedia lhe chama “uma expert nacional e protagonista no cuidado da juventude trans”.

Drª Olson admite, “Nós não sabemos quem gosta de fazer coisas que o outro gênero faz e quem é realmente transgênero”.

Apesar disso, há profissionais de cirurgia nos EUA que removerão os seios de meninas trans-identificadas aos 13 anos. Não é só isso que está acontecendo, aliás — há um médico em Brighton, Inglaterra, fica feliz em performar duplas mastectomias em meninas saudáveis com menos de 18 anos. Há cirurgiões nos EUA que tentarão criar um pênis a partir de músculos dos braços ou das pernas de garotas tão jovens quanto 15 anos. Dr Curtis Crane, um cirurgião faloplasta, tem sido réu em não menos do que seis processos nesse ano: seu escritório diz que ele está acostumado a tratar pacientes de cirurgias de alto nível com menos de 18 anos. Ele continua praticando. Ou dá pra chamar isso de prática?

Atualmente, jovens mulheres no Reino Unido são recomendadas a fazerem histerectomia depois de mais de 5 anos de testosterona devido à atrofia dos ovários e do potencial risco de câncer. Isso significa que, em muitos casos, o uso de testosterona resulta em esterilidade. O governo sueco recentemente concordou em compensar jovens adultos que se submeteram à esterilização como parte de suas cirurgias de redesignação sexual. Um ator que foi esterilizado aos 21 anos disse:

“Eu era jovem demais para entender o que significa nunca mais ser capaz de ter suas próprias crianças. Eu não entendia aquilo para que eu estava dizendo sim.”

O arrependimento de trans é algo bastante impopular de se falar sobre, e precisamos encarar o fato assustador de que muitas dessas crianças vão acabar ressentindo o que foi feito com elas e questionando por que ninguém tentou parar com isso.

Em um trailer da nova série “I Am Jazz”, um médico diz a Jazz já não mais criança que ele provavelmente nunca poderia receber uma vagina artificial por causa dos bloqueadores de puberdade que Jazz tem tomado, já que eles “não fizeram nenhum favor lá embaixo”, enquanto que outro lhe diz “para cirurgia, não temos o material de que precisamos”. No mesmo trailer Jazz, que transicionou socialmente há uma década, grita “Eu me odeio!”.

Antes, nesse mês, a Jazz de 16 anos postou no Twitter que achou um médico, um pai transexual de três crianças chamado Marci, que já fez mais de mil “cirurgias de redesignação de gênero” e que acredita que pode fazer uma vaginoplastia bem-sucedida em Jazz. Ainda que muitos duvidem das habilidades de um bebê de 2 anos articular tal pensamento, Jazz alega que “aos 2 anos, eu disse, quando é que a fada madrinha vai transformar meu pênis em uma vagina? Marci é essa fada madrinha.”

Enquanto Jazz embarca na terceira temporada desse programa, publica seu primeiro livro e anuncia que a primeira boneca transgênero do mundo foi baseada nele, pareceria racional concluir que a medicalização de crianças trans-identificadas deveria ser o último recurso.

Enquanto isso, aquelas pessoas com crianças que desistiram da trans-identificação dificilmente têm voz na imprensa convencional. De novo e de novo, jornalistas nos contatam dizendo que estão interessados em ouvir nossas histórias, concordam com o que dizem, depois vão embora e escrevem artigos no formato comum pró-transição. Quem pode culpá-los? Um jornalista “transfóbico” não conseguirá mais publicar, e você certamente não vai ganhar nenhum prêmio desse jeito. Isso não é sobre querer 15 minutos de fama: a maioria de nós protege com unhas e dentes as identidades de nossas crianças. O problema é que os pais e mães preocupados de crianças inconformadas com seu gênero não ouvem o que nós temos a dizer, só ouvem os sussurros de “transfobia” e de “suicídio”. Não ouvem que há outras formas de tentar ajudar sua criança a se sentir confortável em sua pele, e que pais e mães críticos ao gênero podem prover o amor e o apoio para ajudar sua criança. Jornais e revistas têm medo de imprimir nossas palavras por medo de serem vistos como “transfóbicos”. Muitos de nós usam pseudônimos nas redes sociais por conta do ódio direcionado a nós, enquanto que “crianças trans” — quase sempre meninos — desfilam pelas telas de televisão e nos jornais, em um espetáculo perverso mascarado como um documentário e uma enxurrada à Lolita de rosa, glitter e pirulitos.

Não dá pra inventar isso.

Transgenerismo é sexista.

Se pudéssemos começar a realmente aceitar que o comportamento de gênero é uma construção social, um arranjo de comportamentos estereotipados que nos são ensinados como pertencentes a homens ou mulheres, não como uma disposição inata presenteada por uma fada em nosso nascimento, então talvez as nuvens dispostas sobre uma geração de crianças disfóricas pudessem começar a se esvair.

A maravilhosa Peachyoghurt expressa o gênero perfeitamente em seu vídeo no youtube “Gender for dummies in 5 minutes”. Ela se coloca entre duas caixas plásticas, uma rosa para meninas e uma azul para meninos. Na rosa, há maquiagem, um boné da barbie, um conjunto de beleza. Na azul há um carrinho de brinquedo, um martelo e um boné dos Power Rangers. Peach é uma mulher que gosta das coisas na caixa azul.

“Eu sou transgênero”, ela pergunta, “ou eu sou uma mulher que por acaso gosta da caixa azul? Quem precisa desse diacho de caixa? Livrem-se delas!”

Ela joga as caixas no chão.

“É isso que fazemos: colocamos todas as coisas em só uma pilha e todo mundo escolhe… homem, mulher, quem liga… se uma garota quer isso, vá em frente! Podemos pegar tudo o que queremos, e podemos rasgar as caixas… apenas sejam vocês mesmos. Isso não é ótimo?”

É algo a se pensar.

Tradução do texto de Lily Maynard

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