feminismo lesbianidade

Frequentemente, tenho a impressão de que somente lésbicas falam sobre lésbicas. Que ninguém de fora da nossa bolha se importa com o que sentimos, passamos e produzimos. Então, se você que está lendo isso não tem a mesma vivência que eu, que tal continuar e aprender algo novo? Sinta-se convidada(o).

Prazer, eu me chamo Clara, tenho 25 anos e sou lésbica. Sim, eu sou uma mulher que ama mulheres. Não, não. SÓ mulheres mesmo.

Este é o meu 9º ano “fora do armário”. Minha orientação sexual não é segredo pra ninguém. Família, amigos, sociedade… Quem pergunta (ou só pesquisa um pouquinho), sabe.

Ainda assim, vejo que o ato de se declarar como tal é bem recorrente em minha vida. Querendo ou não, sempre que conheço pessoas novas, essa é uma pauta que surge, muitas vezes inesperadamente. Seja porque é algo natural para mim, ou porque a curiosidade de alguém falou mais alto.

Este é o lado cool de ser lésbica. É diferente. É descolado. Chama a atenção.

Mas ninguém quer saber sobre a parte feia. Os comentários nas ruas. Os olhares de desprezo. A fetichização. A violência. O apagamento.

Por mais privilegiada que eu seja — já que sou financeiramente independente e conto com a aceitação da minha família — não estou livre de passar por situações, no mínimo, desrespeitosas, invasivas, constrangedoras.

Você já se imaginou tendo que amar alguém em segredo?
Evitando segurar a mão dessa pessoa em público, por saber que há o risco de sofrerem algum tipo de agressão?
Sendo apresentada como uma simples amiga, já que a família dela não toleraria a relação de vocês?

Isso sem mencionar outras situações mais alarmantes, como estupros corretivos e assassinatos motivados por lesbofobia.

Estou ciente de que muitas pessoas são contra rótulos, pois acreditam que “se definir é se limitar” ou porque não querem se colocar em “uma caixinha”. Bem, eu entendo essa visão, mas também entendo que ela não funciona no mundo em que vivemos. É necessário contextualizar. Em um lugar ideal, ninguém se importaria com quem nos relacionamos, com a nossa vida afetuosa ou sexual. Mas, sabendo que a sociedade é patriarcal, falocentrista, machista e compulsoriamente heterossexual… Sim, se rotular faz toda a diferença. É um ato político que, em vez de limitar, expande novos olhares para realidades, até então, desconhecidas e/ou marginalizadas.

No Brasil, agosto é considerado o Mês de Visibilidade Lésbica, tendo o dia 29 como Dia Nacional — já que nesta data, no ano de 1996, ocorreu o 1º Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE), organizado pelo Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (COLERJ). Sem dúvidas, um marco histórico para a nossa luta.

No entanto, 24 anos depois, ainda temos muito o que conquistar.

Não importa o mês em que estamos, apenas questione-se:

  • Quantas lésbicas eu conheço? Admiro alguma?
  • Com que olhos vejo a luta lésbica? O que tenho feito para contribuir?
  • Será que ainda reproduzo discursos ou atitudes lesbofóbicas?

Nós realmente não pedimos por muito. Reivindicamos apenas os direitos que qualquer pessoa dentro do padrão tem, incluindo o mais primordial deles: RESPEITO.

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