banheiro feminino
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Mulher indiana pixa o muro com a frase “Direito de fazer Xixi”

“Eu nunca passei mais tempo em um banheiro do que o necessário”, diz a colunista do New Zealand Herald, Lizzie Marvelly, em um artigo recente, afirmando que a defesa de banheiros femininos exclusivos é uma fachada para o fanatismo. “A ideia de que banheiros separados por gênero são algum tipo de refúgio sagrado é novidade para mim”, diz ela, distanciando-se friamente de nós, mulheres histéricas que valorizam esses espaços.

Eles podem não ser um paraíso, mas as feministas do século XIX tiveram que fazer campanha para ter direito a eles. As sufragistas que lutaram por espaços exclusivos como os banheiros femininos, considerava-os um componente crítico para que mulheres tivessem acesso igual ao espaço e à vida pública. Lizzie Marvelly pode não dar valor, mas foram suas avós feministas que lutaram por esses espaços, como parte do desafio de tirar as mulheres da esfera doméstica.

Em Deli, meninas faltam à escola quando estão menstruadas. Então atualmente, na Índia, uma campanha semelhante por banheiros exclusivos femininos continua, através de organizações como a Right to Pee. A campanha também tem a ver com segurança, saneamento, proteção da violência masculina e igualdade de oportunidades, assim como aconteceu no Ocidente.

Lutar por banheiros não é um trabalho glamoroso. Um obstáculo enfrentado pelas feministas da primeira onda foi a humilhação pública, porque era considerado cômico e impróprio para as mulheres fazer referência às funções corporais, mesmo que indiretamente. Então a mídia aproveitou. Na verdade, o escritor Sam Orchard está revivendo essa tática de fazer as mulheres parecerem grosseiras e voyeuristas porque falam sobre banheiros. Ele finge ter como alvo Mike Hosking— assim como Lizzie Marvelly finge ter como alvo a Family First com suas próprias acusações de “intolerância” — e o ridiculariza por estar interessado em “cocô”. As pessoas realmente silenciadas por essas táticas de humilhação, no entanto, são mulheres.

Antigo cartoon onde se lê “O que eu gostaria de fazer com as sufragistas.”

Banheiros são simultaneamente transformados em um problema e um não-problema. Enquanto Sam Orchard se engaja nessa discussão, zombando da ideia de que banheiros podem ser um tópico necessário, outro advogado da causa “trans”, Kyle Macdonald, faz os banheiros parecerem lugares sagrados. “Nem por um momento pense que isso é apenas sobre banheiros”, diz ele. “Trata-se de permitir que as pessoas definam sua própria identidade, vivam todo seu potencial e sejam totalmente elas mesmas. ”

Há outra razão pela qual esta batalha no banheiro parece tão patética, para todos aqueles que a banalizam.

Reflita sobre o fato de que esta batalha pelos direitos “trans” está ocorrendo em todos os lugares onde as mulheres têm um pingo de poder e soberania.

Essa é uma das verdadeiras razões pelas quais esse assunto dos banheiros é embaraçoso. Como o local de uma luta por poder, expõe quão pouco poder e soberania as mulheres realmente têm para ser tomada.

Então, para aqueles que querem invadir nosso território, desculpe, mas você terá que se contentar com banheiros, abrigos contra violência doméstica, associações de parteiras famintas (procurar Te Anau) e grupos de base de direitos ao aborto. Talvez, se você tiver sorte, encontre uma biblioteca de lésbicas que possa colonizar. Não, não é tão glamoroso, mas se você não se importa, seria educado não apontar isso enquanto você está tentando destruir as próprias fundações nas quais esses espaços foram construídos. É como se aproximar da criança pobre da escola, roubar o almoço dela quando ela está prestes a comer e depois comer na frente dela enquanto faz uma careta dizendo que o lanche é medíocre e que na verdade não é tão bom assim. Faça seu próprio almoço da próxima vez?

E quando eu falo criança pobre quero dizer que mais de 85% das pessoas tanto na prostituição quanto nas sweatshops são mulheres. Nossa pobreza em relação aos homens é uma razão pela qual as feministas sempre lutaram para entrar ou desmantelar espaços exclusivamente masculinos, como salas de reuniões de empresas, exércitos e parlamentos.

Mesmo concessões, do tipo “ah, por que não apenas redesenhamos todos os banheiros em cubículos individuais com chave?” isola as pessoas erradas, desmantelando os espaços exclusivos errados.

Por que não tentamos redesenhar algumas salas de reuniões corporativas exclusivas para homens? Cada homem agressivo pode ficar dentro de sua própria instalação privada com chave. Nós podemos colocar as fechaduras do lado de fora. Isso também teria o bônus de resolver alguns problemas reais.

Realmente, podemos não falar sobre isso quando toda a administração Trump está acabando os direitos das mulheres à saúde?

Oh não, isso mesmo, não podemos.

Estamos muito ocupadas ouvindo que o aborto não é uma questão das mulheres, nem a gravidez, e que outro homem acabou de fazer história tendo um bebê, porque os homens podem fazer isso, etc.

Hum… bem, deve ser por isso que eles tomam tantas decisões sobre o direito ao aborto e assim por diante.

É o terreno deles afinal de contas. Certo?

Pode confiar.

Tradução do texto original de reneejg

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