banheiro feminino

A importância de dar às mulheres um espaço em que elas possam ter a privacidade e a liberdade do risco de violência sexual foi, ao longo dos últimos anos, substituída por uma nova narrativa política: “ a neutralidade de gênero”. Surgindo amplamente (ou pelo menos ganhando força à partir) de um compromisso liberal à uma igualdade formal, essa narrativa tem desviado as preocupações feministas com a dignidade e segurança das mulheres, à ponto de até o Partido Conservador — que previamente se comprometeu com a abolição dos espaços mistos após uma série de abusos sexuais contra mulheres altamente publicizados — se sentiu confortável em aparentemente abandonar essa promessa por completo. Enquanto isso, em círculos supostamente progressistas no Twitter, as pessoas compartilham tweets como o abaixo, sugerindo que a preocupação das mulheres é fruto de uma burrice, histeria ou paranoia:

“É fascinante como as pessoas no twitter não percebem que ‘banheiros neutros’ são a mesma coisa que o banheiro da sua casa”

Em múltiplos fronts, feministas se encontram tendo que re-lutar batalhas que pareciam vencidas e superadas, muitas delas serão sem dúvida mais assunto para posts nesse blog. Aqui, nós vamos apresentar nossa abordagem feminista sobre os banheiros femininos.

O risco do assédio sexual

Muitas de nós estão sabendo atualmente que a maioria dos casos de abuso e assédio sexual são perpetrados em um espaço privado, geralmente por alguém que a vítima conhece. Mas infelizmente, ainda são frequentes os abusos sofridos por mulheres e meninas praticados na esfera pública, a ponto de as mulheres terem motivos para temê-los e tomar precauções pra previní-los. Um estudo recente do Comitê Sobre Assédio e Violência Sexual nas escolas da Câmara dos Comuns sobre Mulheres e Igualdade descobriu que o assédio sexual é endêmico em escolas públicas e muitas vezes considerado — tanto por estudantes quanto por professores — como simplesmente uma parte da vida cotidiana. Quase um terço das garotas de 16–18 anos reportaram terem sofrido toques sexuais indesejados na escola , e muitas outras foram vítimas ou presenciaram violência sexual verbal e assédio.

Um banheiro feminino exclusivo ou trocadores específicos para mulheres são suficientes para manter um homem ou um garoto que queira abusar fisicamente de um garota longe? Um argumento comum contra mulheres que expressam sua preocupação com banheiros neutros é: se um homem está determinado a te estuprar, ele não vai se importar se o banheiro é feminino ou não, mas os números dizem outra coisa.

Cerca de 90% das ocorrências de assédio sexual em trocadores públicos aconteceram em instalações unissex [1]. Uma conclusão óbvia que pode ser tirada desse levantamento é que banheiros femininos exclusivos ao menos reduzem a oportunidade de um possível predador. Se nós vemos alguém que não deveria estar em um banheiro específico, por exemplo, a segurança pode ser alertada sem termos que esperar que um abuso aconteça.

Esses argumentos emergiram recentemente depois que uma paciente em estado vegetativo persistente por 10 anos repentinamente entrou em trabalho de parto em sua cama hospitalar. O estabelecimento, nesse caso, agora implementou uma nova política em que a equipe masculina não é mais autorizada a habitar quartos de pacientes mulheres a não ser que estejam acompanhados por outra profissional mulher. Outros abusos oportunistas aconteceram por exemplo, na Universidade de Toronto em Setembro de 2015, depois que dois incidentes de voyerismo em um período de uma semana resultaram na Universidade reduzindo seus banheiros neutros em suas instalações. Esse é o estado de um mundo em que as mulheres ainda vivem: mulheres em posições vulneráveis são vistas como alvos para homens predadores.

Finalmente, deixando de lado o risco de abuso, banheiros segregados por sexo proporcionam às mulheres uma tranquilidade de saber que elas podem usar banheiro, cuidar de suas necessidades menstruais e de crianças pequenas, em um nível de privacidade e dignidade que de outra forma não existiria.

Problemas arquitetônicos e estruturais: que tipo de banheiro estamos discutindo?

Em geral, mulheres enfrentam um problema de desigualdade nas instalações de banheiro em comparação aos homens. Enquanto arquitetos geralmente alocam um espaço igualitário para os banheiros masculinos e femininos, as mulheres — por razões de biologia, responsabilidade com o cuidado das crianças, e até vestimenta — vão precisar usar o banheiro tanto com mais frequência quanto por mais tempo; e menos cabines que urinóis podem caber no mesmo espaço em metros quadrados.

Esses problemas foram por muitas vezes resultado de um design antigo — mulheres não eram previamente parte da vida pública em nenhum grau parecido com os homens, e portanto, os edifícios não precisavam incluir instalações igualitárias— e por outras vezes, era resultado de arquitetos homens não levarem em consideração o uso diferenciado que mulheres fazem dos banheiros. [2] Essa também é uma questão de espaço. Um maior número de urinóis podem caber na mesma área que poucas cabines. Não passa despercebido o fato de que muitos dos “banheiros neutros” estão efetivamente ocupando o espaço dos banheiros femininos, não dos masculinos, porque mulheres não usam urinóis.

Barbican Centre, os banheiros femininos que viraram de “gênero neutro” estão cheios de homens que também possuem um “urinol” para eles mesmos. Totalmente ridículo”

Um resultado de facto em qualquer evento é um menor número de instalações de banheiros para as mulheres, com tanto homens e mulheres usando as instalações para as mulheres sem que as mulheres possam usar os banheiros dos homens de volta. É claro, homens podem usar tanto urinóis quanto cabines — sem um aumento no risco de abuso.

Luc Bovens e Alexandru Marcoci escreveram que se todos os banheiros fossem neutros — e não só os banheiros femininos — se removessem todos os urinóis e usassem o espaço apenas para cabines, então o tempo de espera de todos seria equalizado. Esse seria absolutamente um avanço em comparação a implementação sexista dos banheiros neutros em lugares como o museu Barbican.[3] Mas a questão das cabines gera seus próprios problemas.

Uma dificuldade de travar esse debate é porque os participantes possuem várias ideias diferentes em mente. Algumas pessoas, quando pensam em um “banheiro de gênero neutro” imagina um cômodo separado anexo e que pode ser trancados, algo parecido com como os banheiros para pessoas com deficiência são organizados — uma adição extra aos padrões de banheiro feminino e masculino. Isso é o que vários estados dos Estados Unidos estão determinando hoje em dia —que banheiros divididos por sexo sejam convertidos em instalações neutras. Nos lugares em que os banheiros anexos são as únicas opções somos levados a pensar que esse fato poderia de alguma forma proteger contra os riscos de violência sexual imediata — mas essa abordagem não só não leva em conta a necessidade desigual entre homens e mulheres no uso do banheiro, como falha em perceber o crescimento epidêmico de crimes como os que as mulheres da Coréia do Sul marcharam contra (e que será discutido a seguir): voyeurismo por câmeras de espionagem. Na verdade, esses banheiros anexos a estabelecimentos seriam o lugar absolutamente ideal para esse tipo de criminoso operar.

Não obstante, cabines anexas são em geral inevitavelmente as únicas instalações disponíveis em certos lugares por motivos de espaço e custo, como em restaurantes, pequenos ou médios cafés, e postos de gasolina. Mas tais localidades são ambientes bastante diferentes para as mulheres quando comparados com — por exemplo — feiras, centros urbanos, estacionamentos e parques, sem mencionar bares e boates. Um banheiro em um pequeno café tem poucas chances de ser tão intensamente frequentado, apesar de que a maioria possui pessoas circulando próximas ao banheiro (outros clientes e a equipe do restaurante). Banheiros de shopping centers, em contraste, são publicamente acessíveis, e podem frequentemente não ter uma grande circulação de pessoas e seguranças ao redor ao longo do dia. Apesar disso, shopping centers (rodoviárias, centros urbanos, parques e boates, tendo o último um risco adicional de possuir uma clientela embriagada) geralmente não utilizam um banheiro anexo fechado, mas sim cabines abertas. Essas instalações apresentam um risco particularmente elevado para as mulheres. A experiência da Universidade de Toronto com os banheiros neutros mencionado acima, é o caso em análise. Entretanto, em uma busca simples por “voyerismo em banheiros” na internet, a escala e a frequência do problema se torna evidente. [4]

O impacto sobre as mulheres é múltiplo em indivíduos que — por terem histórico de violência sexual, ou por razões religiosas — não se sentem confortáveis usando um espaço íntimo compartilhado com homens desconhecidos. O resultado é que esses grupos de mulheres se tornam menos capazes de habitar a vida pública.

Se a questão é implementar banheiros neutros, então que eles sejam disponibilizados como os banheiros exclusivos para pessoas deficientes são — como uma opção para aqueles que sentem a necessidade de usá-los, sem remover os banheiros segregados por sexo para as mulheres. Se um banheiro fechado adicional não é possível, então são as instalações masculinas que deveriam ser convertidas, e não as femininas.

Narrativas inconsistentes para iniciativas nacionais e internacionais

Curiosamente, a necessidade por banheiros exclusivos para mulheres é geralmente reconhecida em relação à outros países e não no contexto nacional. A Anistia Internacional considerou os banheiros exclusivos como uma questão de direitos humanos ao tratar de mulheres alojadas em instalações para refugiados, que são molestadas, e verbalmente assediadas pelos homens — inclusive pela equipe de segurança— em campos europeus.[5] Na Índia, acesso inadequado à banheiros privados para mulheres é similarmente preocupante. Mulheres indianas enfrentam o maior risco de estupro e abuso sexual fora de casa quando elas são obrigadas a sair a noite para usar o banheiro. Mulheres evitam beber água, até durante períodos de ondas de calor, por medo ter necessidade urinar, porque homens predadores vão usar da oportunidade para abusar de mulheres em posições vulneráveis. 30.000 mulheres na Coréia do Sul marcharam em Junho de 2018 para protestar a epidemia da tecnologia de câmeras espiãs que são usadas por homens para criar o pornô “molka” — um gênero cada vez mais popular que consiste em filmar mulheres sem seu consentimento.

“Hoje em dia, mulheres coreanas usam máscaras para cobrir seus rostos e procuram por buracos até em banheiros públicos, #câmerasespiãs ficam escondidas nas paredes e até DENTRO das cabines dos banheiros. Esses crimes estão desenfreados, e são cometidos em banheiros públicos, academias, piscinas públicas e trocadores”

Em alguns países em desenvolvimento, o Relatório Especial das Nações Humanas sobre os direitos humanos de água potável e saneamento básico atestou que a ausência de espaços segregados constituem uma das “barreiras primárias que impedem jovens mulheres à obter seu direito básico à educação” [6]. A ausência de privacidade para garotas lidarem com a menstruação pode ser um fator essencial ao determinar se essas garotas vão concluir os estudos ou abandonar a escola completamente. Além da questão do banheiro, existem exemplos famosos de instalações separadas por sexo que a mídia ocidental ainda (e até agora) aceita passivamente como uma necessidade factual para a vida em sociedades patriarcais. Entre 2000 e 2010, mulheres de Tóquio, Nova Délhi (entre outras cidades numerosas ao redor do mundo) tiveram a opção de usar vagões exclusivos para mulheres para protegê-las do risco de abuso sexual durante viagens.

E para tratar da afirmação que diz que ‘se homens estão interessados em invadir os banheiros femininos, eles já podem fazer isso”, é duvidoso que esse argumento seria direcionado às mulheres que apoiam as iniciativas citadas acima. A réplica é tão óbvia — em lugares separados por sexo, as mulheres não vão ter que esperar até que homem a abuse para poder chamar a segurança — que temos razão para pensar se essa crítica é feita de forma honesta. Abusadores se aproveitam das oportunidades. Não apenas os dados (como mencionado acima) não mentem, os proponentes da liberalização das regulações sobre banheiros ocasionalmente deixam escapar suas próprias motivações. Um certo ativista canadense[8] que teve suas conversas em redes sociais vazadas, fantasiava se ele poderia ajudar uma garota de 10 anos a por seu absorvente, e perguntou se mulheres em trocadores andavam com “seus peitos e vaginas” pra fora. Aqueles que afirmam, como Paris Lees, que os medos das mulheres em relação a predadores sexuais é fruto de “sua própria imaginação”, ao invés de uma percepção criada ao longo de uma vida vivendo como mulheres em uma sociedade patriarcal, fariam bem se lessem as notícias de vez em quando.

Narrativas inconsistentes sobre as instalações unissex

É interessante comparar a questão dos banheiros de gênero neutro com o problema das enfermarias unissex. No Reino Unido, as enfermarias separadas por sexo foram estipuladas por uma questão de segurança das pacientes mulheres. Vale notar que nem sempre foi assim. Louise Hide, pesquisando sobre enfermarias mistas em hospitais psiquiátricos entre 1950 e 1990 descobriu que hospitais permitiam enfermarias mistas para agradar a pacientes homens e ignoravam a realidade do abuso sexual até o surgimento do ativismo feminista e das próprias pacientes nos anos 1960 em diante. Enfermarias mistas foram proibidas em 2008 depois que uma mulher de 81 anos foi vítima de um estupro violento pelo homem na cama ao lado da dela [7], e formalmente banidas em 2010 (entretanto, hoje em dia, ironicamente, as enfermarias mistas permanecem em até maior número, graças à constante falta de camas hospitalares de um sistema de saúde que vem perdendo investimentos). Ocorrências de abuso sexual em instalações hospitalares cresceram 17% entre 2010–11 e 2016–17, e organizações de saúde como a Repensando Doenças Mentais em resposta aos dados reiteram a importância de se eliminar as enfermarias mistas.

É curioso, portanto, que quando o assunto dos banheiros é levantado por feministas que fazem campanha pela manutenção dos banheiros femininos no Reino Unido, até pelas próprias sobreviventes de abuso, o argumento é desacreditado como algo fruto da histeria feminina, ou como Lees chama, “um pânico por medos imaginários”. Outra resposta comum é perguntar se essas mulheres tolas não possuem um banheiro neutro em suas próprias casas, como o tweet citado na introdução. É claro, esse processo envolve ofuscar a realidade óbvia que os banheiros privados de nossas casas são usados exclusivamente pela família ou pessoas convidadas. E não membros desconhecidos e aleatórios do público.

E por que a inconsistência?

Eu suspeito que uma razão significativa é o simples fato de que é mais fácil para pessoas ocidentais aceitarem que a desigualdade entre os sexos é uma questão em outros países. É muito mais simples para alguém supor que o grande grupo teórico de mulheres que vivem “além dos mares” devem basear suas críticas de seu próprio país em suas experiências, do que é para muitos assumir que que aquela mulher próxima (e provavelmente branca, da anglosfera de países que brancos consideram “como nós”) que expressem sua preocupação sobre o risco de abuso sexual que elas também sofrem podem ter alguma razão.[9] Quando a crítica das mulheres ataca um ponto pessoal, ela costuma desafiar a percepção do próprio ouvinte sobre o estado do mundo. Pior ainda, elas desafiam as estruturas de poder constituídas que posicionam a predominância da violência branca masculina como um “exagero”, ou algo que as pessoas “mentem sobre”, e que — mesmo quando admitida — é algo que as mulheres precisam lidar e parar de reclamar. O prejuízo emocional causado na metade masculina do mundo por mulheres que dizem “não” é grande demais para suportar. O debate que circunda os banheiros de gênero neutro segue na linha dessa dinâmica. O medo das mulheres da violência masculina é por si mesmo suspeito, automaticamente questionado, e a insistência das mulheres em traçar seus próprios limites é tratada como “crueldade”.

E de novo, se tudo dito acima está correto, como podem tantas pessoas que acusam as mulheres de “pânico moral” acharem que estão lutando por uma causa “progressista”?

Outro aspecto contribuinte é a crescente tendência das narrativas progressistas populares partirem de um conjunto de “conclusões socialmente aceitáveis”, e que acaba agindo de forma contrária, ignorando todo e qualquer fato que não encaixe perfeitamente na narrativa — e até recorrendo à misoginia para tal. Enquanto feministas de gerações anteriores começaram com um fato inconveniente — como por exemplo a posição econômica subalterna das mulheres — e trabalharam em possíveis soluções para esses problemas, muito do discurso político nos círculos ocidentais teoricamente progressistas de hoje parecem ter revertido essa lógica. Ele começa com uma série de demandas de políticas subjetivas (por exemplo: banheiros deveriam ser de gênero neutro), qualquer desvio dessas normas é automaticamente visto como suspeito, não importa qual a base factual. Se chegar às “conclusões erradas” não é uma opção (digamos, por causa do risco de ostracismo), os fatos se tornam cada vez menos relevantes para a discussão — são apenas justificativas ao invés de pontos de partida. Outro possível fator, é claro, é o fato de que o desprezo com a segurança das mulheres e suas preocupações permeia a sociedade como um todo, até nos círculos que se consideram socialmente liberais. É notável que o único risco de violência mencionado pelo CUSU LGBT+ em seu “Guia de Implementação” seja o risco dos estudantes “AMAB” (homens) serem as vítimas de violência. Salvaguardar as mulheres contra a violência masculina não é prática nem da boca para fora.

Uma resposta padrão para as mulheres que são muito desafiadoras (mesmo dentro da esquerda) é que os homens discordantes recorrem à boa e velha misoginia como a forma mais rápida de se desconsiderar seus argumentos. A tentação de alavancar as estruturas de poder social apenas para ganhar uma discussão que a pessoa — genuinamente — acredita ser moralmente correta, é geralmente muito forte para se resistir. É um fenômeno enfrentado por outros grupos marginalizados também, não apenas as mulheres. Mas é importante que nós estejamos atentas ao fenômeno, e não permitirmos que as narrativas de histeria e “emotividade” sejam desculpas para não levar em consideração a substância do argumento das mulheres.

Não preciso falar que aversão aos fatos em relação à violência masculina não é progressista, muito menos feminista. É, ao invés, um reflexo de uma cultura em desenvolvimento em que as pessoas adotam posições políticas para evitar censura e conquistar aceitação social como um fim em si mesmo, e não como respostas ideológicas a injustiças materiais que acontecem no mundo.

Conclusão

Segregação sexual em espaço em que mulheres se encontram em posições de vulnerabilidade são precauções legítimas e importantes para as mulheres. Mulheres vivem em uma sociedade em que o risco de violência sexual é uma realidade dada — até jovens meninas nas escolas do Reino Unido estão vivendo o que foi descrito como uma “epidemia” de violência sexual perpetrada por jovens meninos. Eu poderia entrar em mais detalhes nas estatísticas se isso já não tivesse sido feito várias outras vezes antes. Mas o fato das estatística já terem demonstrado a mesma coisa por incontáveis vezes é a parte perturbadora sobre toda a questão dos banheiros de gênero neutro. Políticos e comentaristas supostamente progressistas parecem ter decidido que apoiar publicamente uma visão pós-moderna sobre gênero é mais importante que esses fatos. Talvez seja apenas covardia em face a uma cultura de mídia social que arrasta a todos.

Mas talvez seja algo mais simples, e mais deprimente, que tudo isso: o feminismo — e outros movimentos de libertação — têm de lidar com um problema complicado de “preconceito interno”. É difícil pontuar exatamente quando uma mudança em atitudes populares começa a mudar, ou quando, ao contrário, há um entendimento que certas atitudes não podem ser expressadas explicitamente. Por vezes nós só percebemos quando as pessoas sentem que possuem permissão para expressar essas atitudes. Nós vimos um certo grau desse fenômeno com os ativistas pro-Bernie Sanders — alguns americanos de esquerda acharam que seu apoio ao “Bernie progressista” significava que eles podiam criticar a não-tão-progressista Hillary Clinton com termos sexistas e violentos. O debate sobre os banheiros de gênero neutro e sobre identidade de gênero parecem representar um fenômeno semelhante no Reino Unido. Insultos abertamente misóginos e um desprezo preguiçoso em relação à segurança e preocupações das mulheres estão sendo negligenciados por estarem supostamente à serviço de uma causa progressista.


O artigo acima foi escrito por uma membra do Cambridge Radical Feminist Network.

Tradução do texto do Cambridge Radical Feminist Network


Notas

  1. In addition, ‘[i]n 2009, Channel 4 discovered that almost two-thirds of sexual assaults by patients in hospitals (21 out of 33 in 2007/8), occurred in mixed-sex wards’: https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/jul/30/mixed-sexed-wards-endanger-and-humiliate-women
  2. https://www.theguardian.com/lifeandstyle/shortcuts/2018/mar/21/why-women-face-longer-toilet-queues-and-how-we-can-achieve-potty-parity.
    See more specifically: https://americanrestroom.org/potty-parity/;
    See also: http://time.com/3653871/womens-bathroom-lines-sexist-potty-parity/
  3. The CUSU LGBT+ ‘Guide for the Implementation of Gender-Neutral Toilets’ recommends a similarly flawed implementation: https://www.lgbt.cusu.cam.ac.uk/wp-content/uploads/2018/05/GN-Bathrooms-Guide.pdf
  4. A couple of examples, among many: https://www.harrogateadvertiser.co.uk/news/crime/harrogate-man-jailed-for-filming-girls-and-women-as-they-got-undressed-in-bathrooms-and-cubicles-1-9451417https://www.pressandjournal.co.uk/fp/news/scotland/1599842/nightclub-voyeur-spared-jail-after-being-caught-filming-women-in-a-toilet-cubicle/
  5. Amnesty also recommends separate sleeping facilities for women refugees, for the same reason.
  6. See p. 153, Discussion Box 3.13
  7. There were also a number of other cases which made national news. For example: https://www.dailymail.co.uk/news/article-124838/Second-woman-raped-mixed-sex-NHS-ward.html
  8. JY. Even the mention of his name has resulted in posts being taken down on Medium and Twitter, but a quick internet search will allow you to find him.
  9. An example of this phenomenon is discussed by Reni Eddo-Lodge in Why I am No Longer Talking to White People About Race (pp.174–175) The ‘surprising’ mention by David Cameron of ‘patriarchal societies’ was — less surprisingly — mentioned in regards to Muslim countries ‘described in direct opposition to our own advanced, so-called egalitarian and meritocratic British sense of self.’

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