Machismo na literatura brasileira: o cânone tem sexo, cor e classe social

A supremacia masculina é perpetuada e mantida com a ajuda dos mais diversos aparatos sociais (já que se trata de uma sociedade patriarcal): a igreja, a família, a escola, os programas televisivos, os livros didáticos e literários, os jornais — a mídia em geral — , o Estado. Os homens, além de estarem na grande maioria dos lugares de prestígio, em que podem ser ouvidos e ter suas vozes consideradas, ponderadas e seguidas, escrevendo para grandes jornais (muitas vezes, sobre temas cuja discussão sequer lhes compete), nos cargos políticos responsáveis por moldar o cenário legislativo do país, ganhando mais que as mulheres para ocupar as mesmas profissões e, portanto, detendo maior parcela do poder aquisitivo populacional, se beneficiam de um machismo que tem caráter estrutural, podendo, portanto, ser reproduzido também por mulheres.

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