A indústria pornô é abusiva, e essas mulheres estão contando como é
A indústria pornô é abusiva, e essas mulheres estão contando como é

“Quem viu o novo documentário de Rashida Jones, Hot Girls Wanted?” Holly Madison perguntou às suas seguidoras no Twitter no início deste mês. “Eu acho que toda garota deveria ter que ver antes de completar 18 anos.

Cinco anos atrás, Madison poderia não ter sido o tipo de voz pública incentivando as pessoas a assistirem a um documentário sobre os perigos e a exploração de garotas na pornografia amadora. Na verdade, é mais provável que você conhecesse Madison em um pequeno programa de TV chamado The Girls Next Door, que narrava a vida na mansão da Playboy — onde Madison vivia como a namorada de Hugh Hefner.

O livro de Madison, Down the Rabbit Hole (Em Português: “Na toca do Coelho”), que conta seus anos na Playboy, passou cinco semanas na lista dos mais vendidos do New York Times desde o seu lançamento em 23 de Junho. É uma história de precaução e arrependimento. Não pude deixar de notar as semelhanças que li em histórias de mulheres que foram exploradas na indústria do sexo.

Exploradas?” – Um amigo ficou boquiaberto quando eu trouxe isso à conversa recentemente. “Holly Madison estava vivendo à grande na mansão da Playboy. Ela conseguia o que quisesse e dava grandes festas onde todos estavam à sua disposição. Ela se tornou uma estrela de Las Vegas depois disso. Quem poderia dizer que ela foi explorada? Ela certamente ganhou muito com esse acordo.”

Mas pergunte a Holly Madison. Pergunte a Tressa, uma sujeita do novo documentário de Rashida Jones, Hot Girls Wanted. Pergunte a Miriam Weeks, cuja história de tentar pagar a sua conta de matrícula na Universidade de Duke à noite como a atriz pornô Belle Knox se tornou viral no ano passado. Diga o que quiser sobre essas mulheres serem participantes voluntárias em suas carreiras baseadas no sexo. O que está claro nas notícias é que essa é uma indústria com muita manipulação e pouca regulação.

Como você convence uma mulher com sonhos de uma vida melhor que esta não é uma estrada na qual valha a pena viajar?

É exatamente o que o livro de Madison está tentando fazer.

Claro, Madison ficou famosa por suas conexões com a Playboy. Mas você sabia que ela não foi paga durante a primeira temporada inteira de The Girls Next Door? Que assim que o show foi renovado, eles praticamente a obrigaram a assinar um contrato que ela não poderia deixar seu relacionamento com Hefner? Que ela foi enganada por residentes da Playboy a acreditar que as namoradas de Hefner eram apenas chaveirinhos decorativos no braço do velho antes de serem empurradas para relações sexuais indesejadas quando ela estava incoerentemente bêbada? Que a ofereceram Quaaludes? Uma vez que ela foi sugada para o “vórtice da Playboy”, como ela diz, seus movimentos foram constantemente monitorados. Ela estava sujeita a um rigoroso toque de recolher, tinha acesso limitado ao mundo exterior e foi literalmente seguida pelos homens de Hefner quando teve uma rara noite sozinha. Como diz Madison, “muitas pessoas assumem que a Playboy foi minha bênção, mas a maioria não sabe que foi também minha maldição“.

Esses exemplos do livro de Madison são apenas algumas das semelhanças que sua história compartilha com inúmeras outras mulheres envolvidas na indústria do sexo – distribuição injusta de renda, rédeas curtas, ilusões e manipulação, relações sexuais indesejadas, entre outras. Como se vê, a Playboy, que pode parecer topo de carreira e quase “família” no espectro de ofertas para adultos (quer dizer, Marilyn Monroe apareceu nela, né?), na verdade não está imune aos mesmos riscos e abusos predominantes em outros cantos mais miseráveis ​​da indústria.

Morde e Troca

Assistir Hot Girls Wanted, lançado no início de 2018 e agora disponível no Netflix, é como assistir Spring Breakers, exceto que em vez de ser sobre garotas nas férias de primavera, é sobre garotas na pornografia, e o filme não termina com as garotas disparando na rampa do triunfo (ah, e é bem feito e vale a pena assistir). OK, na verdade não é nada como Spring Breakers. Exceto que eles são ambos sombrios e deprimentes.

Hot Girls Wanted mostra a vida por trás das cenas de jovens mulheres fazendo pornô amador em Miami, Flórida. A maioria das mulheres completou 18 anos e encontrou o programa respondendo às ofertas de empregos on-line. Uma das mulheres entrevistadas para o documentário, Tressa, diz que encontrou o anúncio “no Craiglist (*tipo uma OLX), em empregos de TV e rádio”. Segundo um ator pornô entrevistado no filme, “há um influxo de garotas que querem fazer pornô.” Muitas delas sabem que é uma armadilha, mas o dinheiro está bem ali na cara delas; elas aceitam e torcem pelo melhor.”

Há também a história de Miriam Weeks. Conhecida no mundo pornográfico como Belle Knox, ou a “estrela pornô da Universidade Duke”, Weeks foi inesperadamente expulso por colegas de classe e desde então compartilhou sua história na série da web Becoming Belle Knox. Weeks explica: “Eu pensei que este seria um trabalho de meio período, mas fui tão ingênua em pensar que poderia fazer isso… você não pode fazer um trabalho de meio período, vocêtem que ser constantemente seu alter ego pornô.”

Todas essas histórias compartilham, em graus variados, elementos comuns que devem nos perturbar. Estas eram mulheres em necessidade financeira extrema que sentiram que tinham opções limitadas. Uma vez que elas estavam “dentro”, suas opções se tornavam ainda mais limitadas. Em muitos casos, as mulheres dizem que receberam uma imagem muito diferente da realidade. Sentiam-se pressionadas a aceitar encontros sexuais mesmo quando se sentiam desconfortáveis; sob o controle de manipuladores habilidosos, as coisas geralmente aconteciam mais rápido do que poderiam processar a tempo de dizer não.

Madison estava sem grana e acabara de ser expulsa do apartamento quando lhe foi oferecida a opção de ficar na mansão da Playboy. As garotas de Hot Girls Wanted tinham 18 anos e tinham pouco ou nenhum outro histórico profissional. Weeks sentiu o aperto financeiro para prover suas despesas de faculdade. Estamos vendo o ponto em comum aqui? Quando se trata de mulheres que ingressam na indústria do sexo, a maioria é abordada por predadores que visam mulheres jovens, ingênuas e com dificuldades financeiras. Em Becoming Belle Knox, Weeks revela sua perspectiva sombria que levou à sua carreira pornô: “A vida é dívidas, e a vida é contas, e a vida é tomar decisões adultas“.

Infelizmente, para muitas mulheres, apesar de entrarem na indústria por necessidade financeira, elas não ganham tanto quanto imaginavam. “Há muitas despesas com a pornografia“, disse Weeks, após contar seus ganhos em uma exibição promocional de uma convenção pornô e calcular mentalmente sua renda total após as despesas. “Ser uma estrela pornô era muito caro“, Tressa ecoa em Hot Girls Wanted. “Aluguel, unhas, maquiagem, comida, vôos e depois 10% para Riley. Eu só fiz US$25.000 em quatro meses. E depois que saí, eu tinha $2.000 na minha conta bancária”.

Isso é incompreensível quando você considera quanto dinheiro está no negócio da pornografia. De acordo com a pesquisa conduzida por Debby Herbenick e Bryant Paul, do Instituto Kinsey para oHot Girls Wanted,

“Mais pessoas visitam sites pornográficos por mês do que Netflix, Amazon e Twitter juntos. Cada vez mais o que as pessoas assistem é pornografia “pró-am” – vídeos com amadores pagos… Uma vasta quantidade de pornografia on-line pode ser vista de graça, mas muitos sites pró-am com garotas novas cobram taxas de inscrição. Os três primeiros valem cerca de US$ 50 milhões.”

A indústria pornográfica em geral fatura mais de US$ 13 bilhões todos os anos. Por contexto, isso é mais do que Hollywood, que fatura cerca de US$ 8 bilhões. Isso também é mais do que Microsoft, Google, Amazon, eBay, Yahoo, Apple e Netflix juntos.

Apesar das mulheres serem a principal mercadoria, um líder masculino geralmente ganha mais dinheiro controlando as mulheres. Em Hot Girls Wanted era o Riley, um locutor e agente de reservas que recrutava as garotas no Craigslist. “Eu dirijo minhas garotas de e para as gravações, e eu faço… um dinheiro bom”, diz ele no filme. No caso de Madison e das outras garotas da mansão da Playboy, o líder era o famoso Hugh Hefner. Weeks era mais uma agente livre. Em Becoming Belle Knox, ela diz que está “tão acostumada a estar sempre à espera de golpistas ou pessoas que vão tentar prostituí-la ou traficá-la”. Comentários como este são uma prova de como a prostituição e o tráfico estão na indústria do sexo em grande escala. E como a manipulação hábil é frequentemente usada para atrair mulheres para dentro.

Enquanto Madison fez inimigos na mansão da Playboy por sua recusa em participar de prostituição para serviços externos de acompanhantes, ela descobriu que muitas mulheres associadas à Playboy eram seduzidas para isso. “Garotas eram rotineiramente convencidas de que esses homens estavam dispostos a pagar um prêmio pelo simples prazer de sua companhia e não necessariamente por sexo – mas até onde sei, quase nunca era o caso”, ela escreve em Down the Rabbit Hole.

Além de atrair pessoas financeiramente necessitadas e reduzir seus ganhos, trabalhar na indústria do sexo não oferece uma boa garantia de emprego (em geral, seu trabalho dura apenas o tempo de sua aparência juvenil) nem opções de emprego depois que elas saem. Como Madison descobriu,

“estar relacionada à Playboy pode fazer as pessoas não quererem ter nada a ver com você, mesmo na louca e peculiar Hollywood. Muitas vezes esse contra-ataque cheio de ódio me fazia desejar que eu tivesse continuado a ser a horrível garçonete falida de 21 anos que eu tinha sido antes de Hef entrar na minha vida.”

Presas entre a frigideira e o fogo

Outra questão gritante trazida à luz pelas histórias dessas mulheres é a prevalência de abuso e estupro na indústria do sexo.

Difícil. Essa é a palavra que parece vir à mente primeiro quando as garotas no pornô amador descrevem uma cena da qual não gostaram. “Foi uma cena realmente muito, muito difícil“, disse Weeks sobre seu primeiro mergulho no pornô. “Eu não estava preparada para quão difícil foi.”

Weeks está se referindo ao seu primeiro set pornô, onde ela foi fisicamente espancada e sufocada quando as câmeras filmavam. É uma experiência que as atrizes pornô amador enfrentam regularmente –assinar por uma coisa (uma cena pornô como lhe descreveram, por uma certa quantia de dinheiro), mas depois ser forçada a fazer outra coisa enquanto as câmeras gravam. Não é incomum que as mulheres sejam fisicamente agredidas ou forçadas a fazer um ato sexual do qual não foram informadas de antemão. Antes da cena de Weeks, onde ela é gravada na frente do set sendo “chutada”, disseram-lhe: “Não é tão ruim assim; eles serão muito legais com você.”. Apesar de seu não inicial, ela finalmente concordou; afinal, $1200 foi “dinheiro rápido e fácil” –ou, pelo menos, foi rápido.

Acontece que os termos previamente acordados mudam com frequência nos sets pornográficos –assim que as atrizes já voaram para o local, estão em posições delicadas e sentem que não têm a opção de recusar.

Essa não foi a única cena em que Weeks teve um encontro sexual indesejado. Como ela descreve em mais detalhes em Becoming Belle Knox, seu agente intencionalmente não deu detalhes sobre uma filmagem pornô até que ela já estivesse comprometida. No momento em que ela foi informada que o homem tinha 50 anos, ela se sentiu de mãos atadas e não podia dizer não. Ela seria multada e nunca mais seria contratada pela empresa. Ela fez “pelo profissionalismo“, diz ela. Apesar de se sentir “como se estivesse chorando durante toda a cena” e depois se sentir “realmente chateada”, Weeks concluiu que “mesmo que seus limites sejam desrespeitados, você deveria fazer a cena de qualquer maneira”.

Usar de “força, fraude ou coerção” em atos sexuais comerciais é o que é compreendido como o crime de tráfico sexual. Weeks pode não ter um cafetão propriamente dito, mas isso a que ela está submetida é perigosamente próximo do, senão definitivamente O, tráfico sexual.

A experiência de Weeks espelhou algumas das gravadas no documentário Hot Girls Wanted. “Hoje foi tão horrível“, disse Tressa depois de fazer uma cena de escravidão. “Essa última parte eu odiei muito”, uma mulher chamada Rachel diz depois de uma cena que foi particularmente dolorosa. Para a cena de Rachel, o diretor disse aos atores: “Você nunca consegue esse sim“, sugerindo que a natureza proibida do ato sexual seria mais excitante para os telespectadores. Acontece que, em muitos casos, o que é verdadeiro no roteiro da fantasia pornográfica é verdadeiro na realidade. Você nunca consegue esse sim.

Pelo menos 40% dos pornôs apresentam violência contra as mulheres, de acordo com o Hot Girls Wanted. Entre essas tendências estão os trabalhos forçados a ponto de fazer as meninas vomitarem (chamado “abuso facial” na linguagem pornográfica). “Eu estava com medo“, disse Rachel a uma colega de quarto depois de uma cena difícil. “Eu não sabia que podia dizer não para ele, ou o fato de que nós já havíamos gravado quinze minutos que eu podia ter ido embora… e aí? E aí eu entendo que é assim que as vítimas de estupro se sentem.”.

Realmente não é tão difícil tirar proveito de uma garota de 18 anos [que está] fodendo na câmera“, diz Tressa, refletindo sobre seu tempo na pornografia.“Quero dizer, a maioria das garotas quando eu estava na indústria diria sim a qualquer coisa; se tivesse sinal de dólar, to dentro”.

De acordo com a pesquisa de Herbenick e Paul sobre Hot Girls Wanted:

“Em 2014, os sites de pornografia abusiva tiveram em média mais de 60 milhões de acessos combinados por mês – mais acessos que nfl.com, nba.com, hotwire.com, cbs.com, fortune.com, disney.com e nbcnews.com.”.

Outros pesquisadores descobriram que 88,2% das cenas pornográficas mais bem classificadas contêm atos agressivos; em 70 por cento das ocorrências, um homem é o agressor e 94 por cento do tempo em que a violência é dirigida a uma mulher.

Acontece que os sorrisos forçados das mulheres na indústria do sexo são apenas uma fantasia. Longe de apreciar as escapadinhas sexuais, as mulheres muitas vezes estão apenas tentando sorrir e suportar isso. “Não foi nem excitante… muito pornô é assim”, Rachel diz depois de uma de suas cenas mais ásperas. “É tudo pro cara ejacular.”

Embora houvesse menos violência, o mesmo aconteceu na mansão da Playboy. “Eu nunca tive uma experiência tão desconectada”, diz Madison sobre seu primeiro encontro sexual na mansão.“Tinha zero intimidade envolvida.” Essa foi a primeira daquilo que se tornou uma experiência rotineira de duas vezes por semana. Segundo o livro de Madison, esperava-se que as namoradas saíssem à noite e depois participassem da agenda do quarto de Hefner, que incluía as garotas imitando o comportamento pornográfico com pornografia a passar no fundo, Hefner passando de menina para menina sem pedir consentimento e depois gozando sozinho, novamente assistindo pornografia. Madison diz que a primeira vez “pesou muito” sobre ela e foi apenas a primeira de uma longa lista de maus-tratos que ela experimentou na mansão.

Um longo caminho

Pode ser confuso para alguns leitores entender por que as mulheres não saem correndo e gritando de cenários como esses. Para ser justa, muitas fazem isso. Mas, ainda assim, muitas outras, quando experimentam algo assim, experimentam uma confusão de emoções que inclui o medo de enfrentar a sua própria violação e o desejo de se sentir no controle – em outras palavras, de possuí-la. Misture isso com uma dose pesada de manipulação psicológica de alguém que provavelmente é um predador experiente e você tem uma garota que pode não ter uma estratégia de saída fácil.

Enquanto eu tinha entrado na mansão à procura de um porto seguro temporário e um possível degrau para uma carreira de Hollywood“, diz Madison, “eu tinha caído em uma toca de meninas desagradáveis, uma vida amorosa degradante, auto-estima corroída e medo total do julgamento do mundo exterior… Eu simplesmente não conseguia admitir para mim mesma que tinha feito uma escolha terrível de me mudar para a mansão em primeiro lugar. Foi o auge da dissonância cognitiva.

Madison explicou ainda:

“Demorou anos para eu perceber o quão manipulada e usada eu tinha sido. Eu nunca poderia admitir isso para mim na época, porque fazer isso seria reconhecer como eu estava numa situação sombria e assustadora… e quão pouco no controle eu estava.”

Depois de ler o livro de Madison, não podemos deixar de nos assustar ao ouvir Weeks dizer, como ela disse em Becoming Belle Knox com uma risada nervosa: “Eu tenho minha identidade, sei do que preciso e sei o que quero às vezes… com a pornografia, tudo está nos meus termos, eu posso dizer não sempre que eu quiser, eu estou no controle.”. Os telespectadores ouvem isso momentos antes dela se promover em um estande de convenção. “Esse filme está estreando; eu sou fodida em grupo; eles colocaram uma máscara e uma coleira em mim; é muito quente. Eu gosto de coisas duras.”. Realmente, duras.

Uma linha na areia

Porém, Holly, Tressa, Rachel e Miriam são vítimas por completo?

Bem, sim e não.

Elas sabiam no que estavam se metendo? Sim, na medida em que elas sabiam que isso era complexo; isso era arriscado. Elas até podem ter feito um grande esforço para parecerem desejáveis ​​para a indústria. Mas o não é um grande não. Não, porque elas não sabiam até que ponto elas seriam abusadas, seja verbalmente ou fisicamente. Não, porque em muitos aspectos elas foram enganadas e chantageadas ao longo do caminho. Não, porque elas não tinham total conhecimento dos custos.

Elas fizeram más escolhas? Certo. (Como Madison diz, “espero que compartilhar meus erros possa impedir que alguém cometa outros semelhantes ou encoraje alguém a sair de uma situação ruim.”) Elas podem se recuperar? Claro, algumas são incrivelmente resistentes. Mas o que aconteceu estava errado? Sim. É errado outros obterem lucro e prazer com os profundos maus tratos das mulheres.

Nós já temos uma crise nacional de violência sexual e abuso que não são denunciados; só que é pior para as mulheres que entraram nisso e sentem que não têm nenhum recurso. As mulheres que são abusadas na indústria do sexo e procuram ajuda legal são frequentemente caluniadas ou desacreditadas; elas têm poucos defensores na praça pública, além de uma pequena comunidade de outras mulheres que também deixaram a indústria.

Mesmo assim, a visão pública da indústria do sexo, seja pornográfica ou da Playboy, é que é algo que as mulheres livremente escolhem e pela qual são justamente recompensadas. O mito de que existe uma zona de luxo e livre de abuso dentro da indústria do sexo perdura. Madison achou que essa fosse a Mansão Playboy. Weeks pensou que fosse a filmagem da Califórnia para a qual ela voou num final de semana de três dias. As jovens no documentário de Jones pensaram que era o programa em Miami. Acontece que o que elas esperavam era muito diferente da realidade; tudo a que elas tinham sido expostas era o retrato da mídia, como écomercializado para o público. O que, claro, é apenas fantasia.

Mas é uma fantasia tentadora, mesmo para aqueles que estão nela. Muitos tentam sugerir, mesmo que sóum pouquinho, que o trabalho sexual nem sempre éruim. Existem alguns casos humanos de trabalho na indústria do sexo; existem até maneiras feministas de retratar pornografia. Ninguém quer dizer que todo pornô é ruim para que não pareça um extremista moral ou puritano. Mesmo Rashida Jones, que produziu Hot Girls Wanted, disse: “Eu não tenho nenhum problema com pornografia… Acho ótimo que tenhamos a liberdade de explorar nossas fantasias sexuais e que haja ferramentas para isso. O problema [para mim] é que não há regulamentação no setor”.

Mas e se essas tendências que vemos, de Belle Knox a Playboy e Miami, apontarem para alguma coisa –que a indústria do sexo, que explora uma grande parcela de mulheres, é inatamente prejudicial? Que sempre foi baseada na mesma coisa para ganhar dinheiro – desumanizar mulheres vulneráveis ​​em busca de lucro. Negar isso é colocar futuras garotas em risco. Perpetuar a historinha falsa para mais outra garota comprar essa conversa – de pensar que, mais uma vez, a sua relação com a indústria do sexo serádiferente – é algo muito perigoso.

Perto do fim de Hot Girls Wanted, uma das atrizes pornô mais experientes ouve sobre a nova estrela amadora de Duke, Belle Knox, incluindo sua cena abusiva de um site pornô que ela também conhece bem. “O abuso facial é muito degradante”, ela exclama. “Nem todo mundo se recupera disso. Eu sei só pelo jeito que ela fala sobre isso… Quer dizer, ela não fala sobre isso. Ela era uma daquelas garotas que não sabiam no que ela estava se metendo.”

Quanto mais perpetuamos o mito de carreiras felizes e saudáveis ​​na pornografia, mais acreditamos que é possível ter os altos de Marilyn Monroe sem os seus baixos. E, infelizmente, mais mulheres passarão pela toca do coelho, achando que são a exceção, não a regra.


Autora

Mary Rose Somarriba fez uma bolsa Robert Novak de Jornalismo em 2012 sobre as conexões entre pornografia e tráfico sexual.

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