Os filmes de terror: construindo a mulher louca e mantendo seu medo como loucura

Mais uma forma de desacreditar da vítima

Histeria. Quantas vezes já você já ouviu alguém falar “essa mulher é histérica”? Garanto que muitas vezes. O nome vem do grego hystéra, que significa útero. “Acreditava-se, na antiguidade, que a energia vital desse órgão se deslocava para outras regiões do corpo, causando os ataques. Já na Idade Média, eles eram considerados manifestação de bruxaria e não foram poucas as mulheres queimadas vivas por causa disso. A psiquiatria do século XIX, por sua vez, acreditava que a raiz devia estar em uma lesão orgânica, enquanto outros falavam em fingimento”, diz a psicanalista Maria Teresa Lemos, da Escola de Psicanálise de Campinas. 
 
 A personalidade histérica é de práxis em filmes, principalmente nos de terror/horror. Mesmo sendo filmes que tratam o sobrenatural, é natural que a mulher que suspeite de algo seja vista “a louca”; “ a bruxa”, pronta para ser queimada. Geralmente essas mulheres são aquelas que questionam, que investigam e que tomam iniciativa para ter soluções, ou seja, é aquela mulher que abre a boca para falar que algo está errado. Pergunta: porque desconfiam sempre quando uma mulher diz que algo está errado? Será que elas fogem da lógica racional de compreensão por entenderam que mulheres não são seres-humanos? Será que sempre duvidamos das vitimas? Em A Morte do Demônio (2013), Mia é a protagonista e está se recuperando dos vícios em drogas ilícitas, ela diz que sente que foi estuprada pelo mal, mas nenhum personagem dos filmes tem a capacidade de confiar nela. Em The Sinner (2017), mostra-se uma mãe que esfaqueia um desconhecido até sua morte, tudo parece não haver motivo e que ela está realmente louca, até descobrir que o rapaz que ela matou abusou dela e de sua irmã enquanto as duas estavam inconscientes em uma festa. Em American Horror Story Temporada 1 (2011), Violetaparece como uma moça problemática que é cheia de distúrbios mentais, mas parece se manter saudável quando se relaciona com um espirito que está preso em sua nova casa. Isso também me lembra dum filme chamado O Parque Macabro (1962), Mary, a protagonista, sofre um acidente e faz terapia, durante uma das sessões ele diz que ela precisa de um namorado para ficar bem. Mary sabe que o medo dela não é falta de um namorado, ela sente que algo está errado, só queria saber o que há de errado, mas ninguém acredita no que ela diz e então Mary some. 
 
 A “sétima arte” também constrói e destrói ideias, portanto continuar apostando na ideia de que a mulher histérica é aquela irracional que sente demais e nunca devem ser acreditadas é perigoso é mais uma reprodução misógina para com as mulheres e isso não deve ser aceito como verdade universal. As mulheres sentem, pensam. Mulheres também são seres racionais.·.

Eu, Del Fuoco

Talvez para sempre uma forasteira.

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