Como a cultura da pedofilia afeta como entendemos a beleza

Beleza, para mulheres, é entendida como ter uma pele macia, um corpo sem pêlos, manter-se magra, manter a juventude, e ser a dona orgulhosa de uma vagina apertada como de uma virgem. Nós não queremos mulheres, nós queremos meninas. Essa é a base da cultura da pedofilia.

A indústria de cosméticos usa palavras como “antienvelhecimento”, “redução de poros”, e “eliminação de rugas” para atrair as pessoas. Existem incontáveis cremes para olhos, cremes noturnos, cremes diurnos, manteigas corporais, óleos corporais, e loções para manter uma pele macia e elástica. Existe manteiga de cacau para eliminar estrias de crescimento e Botox para impedir que você pareça acabada. Todas essas coisas existem para fazer você parecer mais jovem do que você é. E eu entendo, não há nada como uma boa pele macia em lençóis recém-saídos da máquina, mas não há nada de errado com linhas de expressão ou pés-de-galinha. No entanto, as empresas de cosméticos miram em inseguranças, especialmente em mulheres, para que tenham “pele macia como bumbum de neném”. Por que mulheres adultas querem se sentir como bebês?

Em uma rápida pesquisa no campus da minha universidade, eu descobri que a maioria das garotas se depilam todos os dias durante o verão e uma vez por semana ou semana sim, semana não no inverno. A razão mais comum: porque eu não preciso me depilar [durante o inverno]. Com mangas longas e calças jeans, não há razão para depilar o que ninguém vai ver. Mas nós estamos nos depilando somente para outras pessoas? 34% dos caras disse que eles não namorariam uma garota que não se depila. Meninas estão depilando tudo hoje em dia para serem completamente livres de pêlos. Esse padrão de corpos completamente lisos não é realista para uma mulher que está tentando passar por invernos rigorosos. Pêlos corporais são completamente naturais uma vez que a puberdade começa, e nós estamos manter uma imagem corporal pré-púbere.

Como a cultura da pedofilia afeta como entendemos a beleza

De acordo com a National Association of Anorexia Nervosa and Associated Disorders (Associação Nacional de Anorexia Nervosa e Disfunções Associadas), nos Estados Unidos, até 30 milhões de pessoas sofrem de um transtorno alimentar seja ele anorexia, bulimia, ou compulsão alimentar. O Substance Abuse and Mental Health Services Administration (Administração dos Serviços de Saúde Mental e Abuso de Substâncias) do Center for Mental Health Services (Centro para Serviços de Saúde Mental) reporta que “95% das pessoas que têm transtornos alimentares estão entre 12 e 15 anos”. Essa necessidade de ser impossivelmente magra é principalmente influenciada pela sociedade e pela mídia. Por mais que isso tenha que ser reiterado, a aparência de uma Barbie não é natural. Mulheres devem ter mais gordura, na média, por conta de hormônios, seios, órgãos sexuais, e para a ovulação.

Nós vemos celebridades entrando na faca por face lifts (para esticar o rosto), tummy tucks (lipoaspiração do abdômen), seios maiores, e mais. No entanto, um tipo de cirurgia que é menos conhecido mas está decolando é a labioplastia, também conhecida como redução dos pequenos lábios ou redução labial. De acordo com a Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética, de 2013 a 2014, a popularidade desses procedimentos aumentou 44%. Dr. Lih-Mei Liao, psiquiatra consultora co-autora de um relatório sobre cirurgia cosmética genital feminina (na sigla em inglês FGCS) comento que “Podemos dizer com tranquilidade que talvez haja alguma influência porque os efeitos resultantes da labioplastia são muito similares à vulva da pornografia”. No mesmo relatório, é pontuado que muitas das mulheres que procuram essa cirurgia plástica têm lábios considerados normais. Essas mulheres querem a cirurgia pelo mesmo motivo que algumas pessoas querem Botox — pela aparência. Como quando as garotas olham revistas para verificar quão finas suas cinturas “deveriam ser”, mulheres consultam “representações culturais da genitália feminina” para ver como sua genitália “deveria ser”. Isso basicamente se resume a pornografia.

Como a cultura da pedofilia afeta como entendemos a beleza
Como a cultura da pedofilia afeta como entendemos a beleza
Fontes: ABIHPEC; Forbes; ISAPs; SBCP

Por dois anos seguidos (2013 e 2014), a categoria pornográfica mais popular do PornHub foi Adolescente (teen). Um site que teve quase 80 bilhões de visualizações em 2014 foi procurado por oferecer meninas, ou mulheres que se parecem com meninas, fazendo sexo. Já é comprovado que a pornografia molda as preferências do que as pessoas gostam. Nossos cérebros são mutáveis e podem ser condicionados devido à neuroplasticidade. Por conta de seu “motor poderoso”, como Dr. Donald Hilton descreve, assistir à pornografia é fortemente viciante e fornece o melhor ambiente no qual se aprender. No entanto, se você está assistindo pornografia que contém violência, humilhação, estupro e afins, seu cérebro na verdade aprende a enxergar tudo isso como algo sexy e excitante. A pornografia é uma indústria de oferta e demanda. Se não existisse demanda por pornografia de meninas que acabaram de fazer 18 anos e meninas em idade escolar, não haveria uma categoria inteira dedicada a isso. Não só: a categoria mais popular.

Existe o termo “chave de cadeia” — que é uma jovem adolescente, ainda menor de idade, que é simplesmente tão sexy que ela atrai homens mais velhos para sua armadilha sexual e os manda para a cadeia por engajarem em eventos promíscuos com ela. Então por que estamos tão em êxtase pela cultura da pedofilia? Claro, nem todo mundo que quer uma parceira lisinha vai atrás de uma criança, mas por que vemos essas coisas como o ápice da beleza?

De um ponto de vista evolutivo, fêmeas mais jovens significavam mais fertilidade e uma chance melhor por mais prole. Mas isso não pesa só sobre nossos ancestrais; pesa também sobre a sociedade nos moldando para querermos o tubo de loção de U$95 ou a gilete de cinco lâminas. Por corpos que poderiam ser levados pelo vento e pelo brilho eterno da juventude. No entanto, esses corpos não são os corpos de pessoas que deveriam estar entrando em relacionamentos românticos. Se você está namorando uma mulher adulta, ela não deveria se parecer com uma criança.

Cresça.


Tradução do texto How Pedophile Culture Has Affected How We See Beauty, de Teresa Tsang, publicado originalmente em novembro de 2015 no site The Odyssey. Você pode ler o original em inglês aqui.

Furiosa

feminismo radical e materialista de forma didática. textos autorais e traduções. fúria, cultura do estupro, política, prostituição e teoria feminista.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *