Nas economias informais, as mulheres são a base da pirâmide econômica

Quando mulheres que vivem em áreas empobrecidas e dilaceradas pelo conflito têm participação econômica, elas frequentemente ingressam na economia informal de uma nação. Economias informais incluem trabalhos ou empregos que fornecem uma fonte de renda, mas não são tributadas ou monitoradas por instituições governamentais, como vendas de rua, agricultura sazonal e trabalho domiciliar.

Como resultado, os trabalhadores que participam da economia informal, carecem de benefícios trabalhistas essenciais, como providência social e atestado médico, bem como proteções trabalhistas para mantê-los seguros, tornando-os mais vulneráveis a grandes flutuações financeiras e crises.

As mulheres sentem mais os efeitos das economias informais – com o fardo adicional da violência de gênero.

As mulheres são mais propensas a ocupar posições mais baixas na hierarquia de trabalhadores e lidar com operações de menor escala, como a produção de alimentos. A maioria dos dados disponíveis indica que, globalmente, a diferença salarial estimada entre os sexos é maior entre as indústrias informais do que nas formais, o que significa que, para a maioria das mulheres, trabalhar informalmente é um envolvimento incrivelmente instável.

Sem qualquer proteção social ou legal no local de trabalho, as mulheres na economia informal também estão cada vez mais vulneráveis à violência de gênero durante o trabalho. Mas, para garantir a renda familiar, muitas mulheres são forçadas a ficar em silêncio.

Economias informais e grandes crises: observações da pandemia COVID-19

Para homens e mulheres na economia informal, o sucesso depende inteiramente de sua capacidade de trabalhar e vender; não há subsídio de doença, férias pagas ou seguro social para contar. A pandemia mundial de COVID-19 destaca os perigos do trabalho da economia informal e o fracasso das principais disposições destinadas a diminuir os danos econômicos durante a crise. 

As recomendações atuais de distanciamento social, bloqueios e toques de recolher, embora bem intencionados, criam um enigma difícil para os trabalhadores informais: ficar em casa pode mantê-los protegidos de doenças e punições da polícia local, mas também significa que não têm como ganhar uma renda e prover para si e suas famílias. E, se ficarem doentes, não existe seguro de saúde confiável ou atendimento acessível. Como disse um vendedor ambulante no México: “Para nós, é um luxo ficar doente”.

Os planos lançados por governos com uma força de trabalho informal significativa para responder a demanda por salários perdidos quase sempre falham em contemplar as verdadeiras necessidades dos trabalhadores informais. Mesmo quando esses planos os atendem, o valor ofertado costuma ser uma fração das perdas que os trabalhadores informais enfrentam. Como esses trabalhadores não contam com a previdência social e pagamento de impostos, existe uma grande preocupação de que a maioria deles não receberá o pagamento de forma alguma.

Onde as mulheres constituem a grande maioria da economia informal, esses efeitos perigosos tornam-se mais pronunciados em tempos de crise.

Onde as mulheres estão trabalhando nas economias informais?

Em quase todos os países do mundo, as mulheres fornecem a maior parte da mão de obra nas economias informais. Na África Subsaariana, 74% das mulheres em empregos não agrícolas têm empregos informais; no sul da Ásia, essa estatística chega a 80%.

É mais provável que as mulheres fiquem confinadas ao trabalho na economia informal em países onde sua mobilidade econômica ascendente é mais limitada . Nações que não valorizam a educação das mulheres, ou onde as normas sociais e culturais as relegam como as únicas responsáveis ​​pelo lar e pela família, veem mais discrepâncias na composição de sexo e diferenças salariais em sua economia informal. Simplificando, as mulheres entendem a vulnerabilidade do trabalho na economia informal, mas não têm a oportunidade de buscar nada além dele.

Um grupo de mulheres na Nigéria se prepara para vender suas cebolas e nabos em um mercado local

Violência de gênero em economias informais

Como as mulheres que participam da produção da economia informal estão confinadas a trabalhar em condições perigosas ou, no caso das vendedoras de rua, dependem do espaço da cidade para trabalhar, elas se tornam cada vez mais sujeitas à violência de gênero e assédio durante o trabalho. Sem a proteção das leis trabalhistas no local de trabalho, empregadores e colegas de trabalho têm maior probabilidade de cometer violência sexual ou física contra trabalhadoras e menos probabilidade de serem punidos por isso, porque as vítimas temem que denunciá-los resulte em mais violência ou perda de sua única renda.

Mulheres vendedoras de rua em todo o mundo relatam que seus perpetradores podem até ser as pessoas que em tese deveria protegê-las; as forças de segurança locais podem  visar especificamente e abusar fisicamente de comerciantes do sexo feminino . Em bairros onde o espaço para vender é altamente disputado, as mulheres muitas vezes são forçadas a trocar sexo por permissão para conseguir vender.

Mulheres na República Democrática do Congo tecem cestas para vender no mercado local. Crédito da foto: Alison Wright

Texto original pela organização: Women for Women International, que atende mulheres que vivem em lugares onde muitas precisam de permissão de seus maridos ou de membros da família do sexo masculino para deixar suas casas, o que dirá para obter uma renda. Ao conectar as mulheres umas às outras em associações empresariais e grupos de poupança, a organização as ajuda a criar resiliência para lidar com crises, sejam elas COVID-19, conflitos ou qualquer outra coisa. Elas aprendem o que significa quando as mulheres têm poder coletivo. Para situações como a atual pandemia, suas equipes em alguns países também têm conexões com os serviços locais para fornecer referências aos serviços de saúde e recursos para as pessoas que sofrem violência de gênero. “Juntos como uma comunidade global, podemos ajudar as mulheres a desenvolver uma rede de segurança, mesmo quando as instituições formais falham. Porque embora as mulheres carregam o fardo das crises e doenças como a base das economias informais, elas são a base para reconstruir as comunidades posteriormente.”

Original: https://www.womenforwomen.org/blogs/informal-economies-women-are-foundation-economic-pyramid

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Estudante de 18 anos do sul do país, que gosta de escrever e quer ser jornalista.

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