Sistren Theatre Collective — Jamaica

Teatro Popular Feminino Jamaicano

Sistren Theatre Collective (Sistren Coletiva de Teatro) é um grupo de mulheres jamaicanas da classe trabalhadora que usa as artes dramáticas para analisar e comentar o papel e a posição das mulheres jamaicanas na sociedade. Elas também estão comprometidas em trazer o teatro para a vida das comunidades de baixa renda do país.

Todas as mulheres do grupo são ex-limpadoras de rua que se reuniram sob um Programa Especial de Emprego introduzido pelo ex-governo Manley. Este programa foi projetado para tentar aliviar a crescente taxa de desemprego entre a classe trabalhadora mais pobre da Jamaica, sendo a limpeza das ruas um dos típicos trabalhos ofertados.

Num esforço para ampliar o trabalho e melhorar as oportunidades disponíveis para as mulheres, a Secretaria Municipal de Mulheres selecionou um grupo dessas trabalhadoras para receberem treinamento como ajudantes de professores. Parte desse treinamento envolvia o estudo do uso das artes dramáticas na educação e foi assim que nasceu o Sistren.

Inspiradas pela disciplina de Introdução ao Teatro como meio de educação ou conscientização, algumas mulheres se voluntariaram para apresentar uma pequena peça no primeiro concerto anual da Semana do Trabalhador, em abril de 1977. Elas foram dirigidas por Honor Ford Smith, uma atriz e professora da Escola de Drama da Jamaica, que mais tarde montou um programa de treinamento especial na instituição voltado para elas.

Nenhuma das mulheres de Sistren tinha qualquer educação secundária, pois todas elas vêm das áreas mais pobres da capital da Jamaica, Kingston. Cada uma delas tinha até quatro filhos.

Os roteiros eram sempre improvisados e, no início, eles evoluíam a partir de reuniões gravadas, quando as integrantes se reuniam para compartilhar e falar sobre suas experiências enquanto mulheres da classe trabalhadora.

Sua primeira grande produção foi a Bellywoman Bangarang, que explorou as experiências das mulheres do grupo nas suas primeiras gestações. Foi muito bem sucedida e compartilhou o primeiro prêmio com as entradas do Peru e do Uruguai na competição de mídia de massa feminina para Mulheres em Desenvolvimento. Após outra produção bem sucedida, baseada nos problemas de formar uma cooperativa e lidar com a lei no gueto, intitulada Versão Bandaloo, a cooperativa Sistren passou a explorar o tema da mulher na Jamaica.

Após outra produção de sucesso, baseada nos problemas de formar uma cooperativa e lidar com a lei no gueto, intitulada Versão Bandaloo, Sistren passou a explorar o tema da mulher na história da Jamaica, com Nana Yah, apresentando as lendárias façanhas de Ama, líder negra que conseguiu fugir da escravatura, que é a única heroína nacional do país.

Seguiu-se, em 1981, QPH, uma peça que tratava da história mais recente e baseada num incêndio que deflagrou em um lar de idosos, em maio de 1980, matando 167 mulheres idosas. A peça, descrita como um “protesto pungente contra a negligência da sociedade em relação aos idosos”, é um documentário ficcionado sobre a vida de três mulheres idosas — suas iniciais formam o título — que acabam no lar. Para pesquisar o trabalho, o grupo Sistren conversou com muitas sobreviventes do incêndio e também tentou ao máximo compreender a experiência física de envelhecer.

Finalmente, o grupo Sistren está agora pesquisando uma peça de teatro sobre a situação das mulheres trabalhadoras domésticas, focalizando as mulheres migrantes. A Coletiva espera levar esta nova produção para o Canadá no final do ano, convidadas pela Associação Canadense de Trabalhadoras Domésticas e vários outros grupos.

O texto acima é baseado em um artigo de jornal que apareceu pela primeira vez no Caribeean CONTACT, Volume 9, №6 (outubro de 1981), juntamente com uma reportagem sobre o Simpósio de Mulheres e Cultura que aconteceu em Barbados em 1981.

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